O presidente George W. Bush anteviu nesta quinta-feira (31) uma vitória na guerra contra o terrorismo e comparou a luta contra o fundamentalismo islâmico com a luta contra os nazistas e os comunistas.

Bush considerou que uma vitória no Iraque será "um grande triunfo ideológico na luta do século 21", ao dar início a mais uma campanha para tentar convencer os eleitores americanos de que sua estratégia de guerra é correta. Em novembro, os americanos vão às urnas renovar o Congresso, e é grande o risco do Partido Republicano, de Bush, perder o controle das duas casas legislativas devido o rechaço dos eleitores às conseqüências da guerra no Iraque.

Iniciando a série de discursos sobre a guerra, na convenção nacional da Legião Americana, Bush admitiu que o mundo vive tempos conturbados – marcados pela violência sectária no Iraque, disputas na fronteira entre Israel e Líbano e a suposta trama terrorista para explodir aviões entre os EUA e a Inglaterra. Mas ele argumentou que o derramamento de sangue e ameaças fazem parte de uma luta ideológica entre a liberdade e o extremismo, que os EUA não devem abandonar.

E advertiu que se os opositores à guerra no Iraque vencerem a discussão política e conseguirem fazer com que as tropas americanas sejam retiradas do país, haveria um desastre no Oriente Médio com repercussões em todo o mundo. "Muitas dessas pessoas são sinceras e patrióticas mas elas poderiam – elas não poderiam estar mais enganadas", ponderou o presidente. "Se os EUA se retirarem do Iraque antes de ele poder se defender por si só, as conseqüências seriam totalmente previsíveis, e totalmente desastrosas. Estaríamos entregando o Iraque para nossos piores inimigos – os comparsas de Saddam, grupos armados ligados ao Irã e terroristas da Al-Qaeda de todo o mundo que repentinamente teriam uma base de operações bem mais valiosa do que o Afeganistão do Taleban".

Bush escolheu uma audiência receptiva em Utah, um dos estados mais conservadores dos EUA, para dar início à série de discursos eleitorais defendendo sua estratégia de guerra. Não por menos, como em todas as eleições desde os ataques do 11 de Setembro, a segurança nacional continua sendo o assunto dominante na campanha atual. Bush disse que a violência no Oriente Médio e o complô em Londres fazem parte do mesmo movimento que resultou nos atentados do 11 de Setembro.

"Vocês são veteranos, vocês já viram esse tipo de inimigo antes" explicou Bush. "Eles são sucessores dos fascistas, dos nazistas dos comunistas e de outros totalitários do século 20. E a história mostra qual será o resultado".

"Esta guerra vai se difícil. Esta guerra vai ser longa. E esta guerra vai terminar com a derrota dos terroristas", adiantou. "Se deixarmos as ruas de Bagdá antes de o trabalho estar feito, teremos que encarar terroristas nas nossas próprias cidades", disse Bush. "Manteremos o rumo, ajudaremos no sucesso dessa jovem democracia iraquiana e a vitória no Iraque será um grande triunfo ideológico na luta do século 21."

Mas nem todos no conservador Estado de Utah apóiam o presidente. O prefeito de Salt Lake City, Rocky Anderson, democrata, liderou milhares em demonstrações de protesto pelas ruas da cidade ontem quando chamou Bush de "um presidente desonesto, belicista e violador dos direitos humanos".

Em pesquisa realizada em agosto, apenas um terço dos americanos aprovam como Bush tem conduzido a guerra. Bush obteve sucesso, e conseguiu apoiadores em discursos anteriores sobre guerra, quando invoca a memória dos ataques do 11 de Setembro e retrata os conflitos atuais como uma extensão dessa batalha ideológica. É a terceira vez em menos de um ano que Bush faz uma série de discursos sobre o Iraque e terrorismo.