A idéia é pertinente, à vista da gravidade do problema cuja resolução exige a ação cooperativa dos presidentes dos três poderes. A iniciativa da proposição do encontro foi sugerida a Lula pelo deputado paulista Michel Temer, presidente da executiva nacional do PMDB. Lula aceitou a sugestão, mas o encontro será agendado depois das férias que ele pretende tirar em fevereiro.

Com os presidentes do Congresso Nacional, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) e Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal (STF), Lula pretende esgotar as minúcias do dilema vivido pelo Executivo, qual seja a identificação de instrumentos eficazes para compensar a perda dos R$ 40 bilhões garantidos pela CPMF no orçamento de 2008.

Tendo em vista a participação substancial do Legislativo e do Judiciário nos gastos públicos, Lula pretende sensibilizar os respectivos presidentes para a necessidade de cortes obrigatórios nas despesas de todas as instâncias da máquina administrativa.

Cortar despesas nunca foi tarefa da preferência pessoal do gestor público brasileiro, que, ao contrário, sempre se pautou pela prodigalidade na pulverização dos recursos do erário, não raras vezes em gastos supérfluos ou de interesse duvidoso. Entretanto, a situação probante enfrentada pelo governo diante da derrota sofrida no Senado requer uma ação inadiável.

Não é mais hora de enquadrar as origens do fracasso do governo – o que todos sabem -mas envidar um esforço conjunto para restabelecer o equilíbrio financeiro, sem apelar para o tradicional e nefasto aumento da carga tributária.

O governo deve aproveitar a chance para mostrar ao País sua aptidão para superar a adversidade de cabeça erguida.