O cacique guarani-caiová Gilson de Felipe Valério, de 36 anos, foi assassinado por dois índios alcoolizados, na BR-156, próximo à área da Reserva Indígena de Dourados, a 220 quilômetros de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O homicídio aconteceu na noite de sábado, quando os dois índios da mesma aldeia resolveram ‘praticar tiro ao alvo nas pessoas que passavam’, segundo a Polícia Militar.

A morte do cacique ocorreu três dias após a divulgação de um relatório preliminar do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), sobre mortes violentas entre os índios em 2006. Dos 40 casos registrados no levantamento, 18 foram causadas pelos próprios índios e 15 ocorreram entre os grupos de Mato Grosso do Sul.

Os dois matadores já tinham sido denunciados à polícia no dia anterior por Ilza Rodrigues, moradora de Itaporã, município próximo a Dourados. Ela contou que, por volta das 22 horas de sexta-feira, ao passar pela rodovia, conduzindo uma motocicleta, foi alvejada no braço.

A polícia prendeu o índio Cleber Reginaldo Martins, de 23 anos. Ele contou que estava em companhia do primo, Otoniel Reginaldo, e que fez vários disparos contra os veículos que passavam pela rodovia, mas sem intenção de ferir alguém. Policiais encontraram a arma do crime na casa de um colega da dupla, Alex Ramos Furtado, morador na Aldeia Jaguapirú.

O Cimi atribui às precárias condições de vida nas aldeias dos guaranis e à falta de terras o aumento da violência entre eles.