Foto: Sérgio Schmitt/Emater

Grupo de produtores venezuelanos no Paraná.

(Emater) – As primeiras sementes de café trazidas por Palheta do Caribe ao Brasil e as levadas do Pará para a Venezuela são o primeiro sinal de que um dia haveria convergência de interesses, culminada no convênio firmado entre os governos do Paraná e da Venezuela há dois anos e materializada pela presença de um grupo de cafeteiros, que desde 27 de julho participa de um completo curso teórico e prático envolvendo a pesquisa agronômica Iapar e o instituto de extensão rural Emater.  

Dos 20 venezuelanos integrantes desse processo de capacitação que inclui o domínio do conhecimento tecnológico e organização da produção e dos produtores, seis são campesinos que produzem café e 14 fazem parte da assistência técnica, entre engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas. Todos interessados, tal como no Paraná, na evolução dos seus respectivos programas. Aqui o esforço é com o Plano de Apoio a Cafeicultura da Agricultura Familiar e lá, com o Plano Nacional do Café da Venezuela.

No encerramento do curso, ocorrido na sexta-feira (10), o grupo foi conhecer o método de integração Treino e Visita, que garante a manutenção do padrão tecnológico da cafeicultura paranaense, a bagagem de retorno dos venezuelanos vai lotada de escritos e registros digitais de fotos e vídeos, para ser mostrada em relatórios e testemunhais. Leva, principalmente, a esperança redobrada de em corto plazo dobrar a média de produtividade de suas lavouras, atualmente em oito sacas beneficiadas por hectare, e chegar ao patamar paranaense de 19 sacas.

Para a engenheira agrônoma Lourdes Franco, 32 anos, responsável da delegação estrangeira e funcionária do serviço de assistência técnica do Estado de Lara (maior produtor de café do país, com produção anual de 330 mil sacas beneficiadas cultivadas em 41 mil hectares por 17 mil agricultores), o ponto alto do curso foi ?termos conhecido uma realidade onde todos estão integrados, com objetivo de assegurar a qualidade ao café. Daqui estamos levando mil idéias colhidas durante os 15 dias de convivência?.

Dentre as idéias por ela citada, estão os debates técnicos com os pesquisadores e extensionistas, as práticas e monitoramento nos campos experimentais, as visitas nos municípios cafeeiros de Pitangueiras, Santa Amélia e Cornélio Procópio, apresentação dos sistemas de produção do café natural e do cereja descascado, desde a pequena até a grande propriedade cafeeiras, a diversificação agrícola com base na produção cafeeira, da colheita a secagem e o armazenamento, a forma de classificação do café, os procedimentos de comercialização, a agregação de valor ao produto com processos de agroindustrialização de torra, moagem e embalagem e venda direta?, assegura Lourdes.

A cafeicultura da Venezuela responde com 1,17 milhões de sacas beneficiadas, produzidas por 50 mil famílias em 200 mil hectares, localizados em regiões de montanhas, no sistema adensado e sombreado de cinco mil plantas por hectare de variedades Caturra, Catuai e Colômbia 27, fornecendo 250 mil empregos diretos e 3 milhões indiretos para uma população de 26 milhões de habitantes, onde 20% dela ainda permanece no campo ocupado em 70% de agricultura de milho, sorgo, cana-de-açúcar e 30% de pecuária de aptidão mista de carne e leite. Dos 22 estados, 14 têm vocação cafeeira, cobrindo 60 dos 335 municípios. O Paraná, por sua vez, produz a média anual de 2 milhões de sacas beneficiadas em 106 mil hectares, cultivados por 13 mil cafeicultores, destes 85% são agricultores familiares, distribuídos em 200 municípios de 10 regiões cafeeiras.

O mais atuante e entusiasmado integrante do grupo é Venerino Escalona, 31 anos, da cidade de Sanare, onde a 53 quilômetros da sede, na Comunidade El Jobal, cultiva há um ano 10 mil plantas de café nos dois hectares na sua  finca La Savana de 6,5 hectares, da variedade catuai amarelo. Ao informar que esta é a primeira vez que sai da Venezuela e também pouco conhece dentro do próprio país, assegura levar muitas novidades mesmo levando em conta as diferenças topográficas do Paraná. Sobre sua permanência, garante que foi muito boa e vai satisfeito. ?Gostei da experiência de conhecer a realidade do café do Paraná e da atenção, do apoio que é dado aos cafeicultores daqui?, afirmou o agricultor familiar venezuelano.