Depois de duas quedas no preço do querosene de aviação desde 15 de novembro, as empresas aéreas decidiram baixar tarifas. Gol, TAM e Varig reduziram o preço das passagens domésticas em porcentuais muito próximos – 3,8%, 3,9% e 3,72%, respectivamente. Os cortes foram, contudo, inferiores às reduções de preço realizadas pela Petrobras desde meados de novembro, a primeira em 11,02% e a segunda em 2,04%.

As companhias aéreas argumentam que, na prática, ocorreram dois recuos no custo do querosene, mas os aumentos este ano acumulam, ainda, alta de 40,37%. A TAM informou que fez um estudo sobre os impactos das diminuição do preço do combustível nos custos totais da empresa e alega que foi possível fazer a apenas redução de tarifas de 3,9%. Segundo o Sindicato Nacional de Empresas Aéreas (Snea), o combustível representa entre 25% e 30% dos custos do setor.

Segundo a TAM, além da queda do preço internacional do barril de petróleo, a desvalorização do dólar frente ao real também foi levada em conta. A Gol, por sua vez, também justificou a redução das tarifas, definida quinta-feira à noite, por causa da "contínua queda da cotação internacional do barril de petróleo associada à redução do dólar". O valor da passagem do Rio para Salvador, por exemplo, caiu de R$ 394 para R$ 379 – diferença de R$ 15,00.

No fim da tarde de hoje, foi a vez de a Varig divulgar sua redução de tarifas. Já a Vasp informou que já havia reduzido há uma semana os preços de suas passagens, numa promoção de Natal. Segundo a página da internet da empresa, a redução foi de 20% para os passageiros que comprarem bilhetes até o dia 15 de dezembro.

O querosene de aviação é reajustado duas vezes por mês, segundo uma fórmula que leva em conta o câmbio e as cotações internacionais do combustível. "Este produto acompanha mais de perto o mercado internacional e por isso está caindo", explicou, esta semana, o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. O sindicato das empresas aéreas vinha criticando os sucessivos aumentos do querosene. O setor argumenta que não repassou todos os aumentos verificados no querosene de aviação este ano.

No mês de outubro, as empresas promoveram uma rodada de aumentos de tarifas, em torno de 8%, alegando pressão de custo no combustível. O Snea chegou a pedir que Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) analisasse a fórmula adotada pela Petrobras para os reajustes.