Brasília (AE) – A Caixa Econômica Federal (CEF) não vai fazer nenhuma alteração na loteria esportiva, a Loteca, por conta das suspeitas de que jogos do Campeonato Brasileiro foram fraudados por juízes. "A credibilidade do produto Loteca não foi afetada. Infelizmente, quem teve a credibilidade abalada foi o nosso futebol", disse o superintendente Nacional de Loterias e Jogos da instituição, Paulo Campos.

De acordo com Campos os clubes de futebol também não tiveram culpa na fraude recentemente descoberta. Muito pelo contrário. Tanto o clube que ganhou quanto o clube que perdeu foram vítimas do esquema desonesto. O superintendente da Caixa também explicou que não há como a instituição rever, por conta da fraude, os resultados dos jogos já fechados. "Quem ganhou, ganhou honestamente e já sacou o dinheiro. Não dá para cancelar o resultado e pedir o dinheiro de volta", disse.

O superintendente da Caixa argumenta que o resultado fraudado teve pouca influência na loteria esportiva. A grade de jogos semanais da loteca é feita com base no campeonato brasileiro, sendo dele extraídos 14 jogos. Dez por cento do dinheiro arrecadado com a venda da loteca reverte para os clubes escolhidos. É o pagamento da Caixa pelo uso do nome do clube no jogo.

Campos também chamou a atenção para o fato de estar configurada a contravenção penal nos jogos de azar que não são explorados pela União.

"Qualquer jogo de azar é classificado como contravenção penal, exceto quando explorados pela União", disse. Ele explicou que, ao explorar os jogos via Caixa Econômica, a União está salvaguardando os apostadores e também destinando parte dos recursos para programas sociais.

Pelos dados da Caixa, o conjunto de loterias administrado pela instituição arrecadou, no ano passado, R$ 4,2 bilhões. Desse total R$ 2,08 bilhões foram distribuídos para os programas sociais. A loteria esportiva, que já foi o carro-chefe das loterias na década de 70, perdeu há muito tempo essa posição. No ano passado a loteca arrecadou cerca de R$ 100 milhões.