A valorização do real ante o dólar, com a cotação da moeda norte-americana próxima aos R$ 2,00, ainda é o principal ponto de críticas do setor agrícola e de seus representantes. O tema centralizou o debate na abertura da Agrishow de Ribeirão Preto, ocorrida nesta segunda-feira (30). "O câmbio é o que mais atrapalha porque, apesar dos bons preços, como na citricultura e cafeicultura, o produtor não se sente remunerado", afirmou o secretário da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, João Sampaio.

De acordo com o secretário, uma saída para o produtor conseguir minimizar os problemas cambiais é a melhoria na gestão. "A feira (Agrishow) pode ter um fator diferencial, que é a gestão. É preciso trabalhar em parceria com os fabricantes de máquinas, com institutos de pesquisa e com os bancos para poder reduzir impactos como esse", explico ou secretário.

O ex-ministro da Agricultura e presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Rodrigues, não demonstra muita esperança na valorização do dólar. "A questão cambial já está decidida. Aumentam as exportações, aumentam os dólares e não há uma solução para isso", disse Rodrigues. "O governo tem uma decisão tomada que é deixar o câmbio livre, portanto não há muito que fazer", concluiu.

O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho, afirmou que o dólar desvalorizado inviabiliza a recomposição da renda do produtor num momento de retomada de preços agrícolas juntamente com o aumento da produção nacional de grãos.

Outro gargalo do setor agrícola que centralizou os discursos na abertura da Agrishow 2007 foi a redução do juro agrícola, na linha da proposta da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), de queda de 8,75% para 4,5% já no plano de safra 2007/2008. "O plano de safra não é só aumentar os recursos e sim reduzir o custo desses recursos", disse o deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), da Comissão de Agricultura da Câmara.

A Agrishow segue até sábado (5) em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, com 700 expositores e expectativa de negócios de R$ 700 milhões.