O painel sobre competitividade, política industrial e inserção internacional, realizado dentro do 18º Congresso do Mercado de Capitais, mostrou que o aumento das exportações brasileiras é uma tendência natural que dificilmente será revertida.

Na primeira palestra do dia, o economista e professor da USP, Simão Davi Silber, afirmou que depois das mudanças iniciadas em 1999, quando o Brasil começou a corrigir a grave distorção existente em seu regime cambial e o preço e a competitividade voltaram a ser os principais fatores do mercado exportador, o país passou a conquistar novos mercados.

?Está provado que câmbio livre e equilibrado naturalmente é uma boa política industrial?, afirmou Silber, ressaltando que a expansão da capacidade exportadora só não aconteceu antes porque o governo segurava e manipulava o câmbio como instrumento de controle da inflação.

Para ele, a flexibilização do câmbio, a abertura do mercado e a liberdade concedida aos investidores nacionais ou estrangeiros mudaram o patamar de exportação do país. Segundo o economista, antes das mudanças o Brasil exportava abaixo de US$ 50 bilhões por ano. ?Hoje estamos indo na direção dos US$ 90 bilhões com grande probabilidade de chegarmos rapidamente aos US$ 100 bilhões?.

Para melhorar ainda mais esse quadro, Simão Silber defende a desoneração da produção de bens de capital (máquinas e equipamentos para a indústria de transformação), liberdade para a captação de novos investimentos e a substituição da política industrial setorial por uma política horizontal.

?Nos setores onde o Brasil ou qualquer país do mundo tenha vantagem comparativa se justifica a existência de uma política setorial. Fora disso, o que interessa é a política horizontal para não escolher vencedores. O Brasil não é bom nessas escolhas e no passado escolheu muitos perdedores?, disse.

Ele ressaltou que na década de 90, quando a abertura ?estava engatinhando?, a indústria brasileira exportava 8,5% da sua produção e hoje exporta 15%, sem subsídios e com grande competitividade.