Embora aflitiva, a situação do desemprego no Brasil, inclusive e principalmente na indústria, não é um filme de horror que está em cartaz somente no governo Lula. Dizemos de horror porque, mesmo os brasileiros que estão empregados, morrem de medo de perder seus postos de trabalho. Esse temor é hoje tão grande que faz com que retraiam suas compras, seus investimentos, seus gastos, não só porque o dinheiro é curto, mas porque existe fundado receio de que venha a encolher ainda mais. Não vemos como possa um país em tal situação adentrar e percorrer os caminhos do desenvolvimento. É verdade que no governo Lula a situação vem se agravando, fenecem as esperanças de criação de dez milhões de empregos em quatro anos, uma piada de mau gosto que aumenta a parte do leão dos meios de pagamento nacionais, divididos também com os setores produtivos e os cidadãos, estes com porções cada vez mais minguadas.

Revela-se agora que há oito anos o Brasil é o país que mais corta vagas na indústria. E como não as aumenta nos setores primário e terciário e, embora cresça em produção agrícola, nesta amplia trabalho para as máquinas e a tecnologia e não para o homem, temos de concluir que estamos encolhendo, enquanto aumentam os nossos problemas laborais e econômico-sociais. É uma questão de estrutura. Somos um país feito para a burocracia e não para a produção e o povo.

A companhia de investimentos norte-americana Alliance Capital, em recente pesquisa, mostra que o Brasil perdeu 20% dos postos de trabalho no setor industrial, entre 1995 e 2002. Foi no tempo de FHC. Quantos mais teria perdido no governo Lula, campeão de desemprego, ou mesmo antes do duplo mandato do presidente tucano?

Não se trata de uma crise, embora crises possam agravar a situação. Trata-se de estruturas perversas que não sustentam a indústria, nem a agricultura, nem o setor de serviços. Que não são montadas para prover o povo de bem-estar. Que temos sistemas de incentivos, de crédito, tecnologias e educação para a produção ineficientes e atrasados e que nada se faz para mudá-los. Agravamos, dia a dia, ano a ano, a situação do emprego e do povo. No mais, a situação de pior país do mundo na lista dos que eliminam empregos nos últimos oito anos é vergonhosa.

A lista revela que no “ranking” dos criadores de empregos estão Espanha (24,6%), Canadá (22%), Filipinas (6,9%), Taiwan (4,7%), México (1,1%) e, em ordem decrescente, Malásia, Holanda, Austrália e Índia.

Entre os países eliminadores de empregos, somos o primeiro, com nada menos de 20%. Depois vem o Japão, que se arrasta há anos em severa crise, com 16,5%. Seguem-se China, com 15%; Reino Unido, com 12,4%; Rússia, com 11,7%; Coréia do Sul, com 11,6%; Estados Unidos, com 11,3%; Suécia, com 6,9%; Alemanha, com 5,6%; França, com 1,9%, e Itália, com 0,1% negativos.

Não nos esqueçamos de que entre esses países, embora seja de estranhar que alguns figurem nessa lista, existem nações altamente industrializadas. Qualquer alteração significa muito menos que os nossos 20% negativos. De outro lado, há países com competentes legislações sociais e trabalhistas, o que temos apenas no papel.

É preciso rever todo o modelo de desenvolvimento do Brasil, seja o industrial, seja o dos setores secundário e terciário. E rever o papel do Estado que, entre nós, tudo pode, até manter o povo pobre e no desemprego, para sustentar suja máquina política e burocrática.