Surpresos, e não pouco, os eleitores brasileiros tomaram ciência da excelente condição econômico-financeira da maioria dos cidadãos que se habilitaram perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a disputar a eleição para a Presidência da República. Aliás, foi o órgão do Poder Judiciário que, cumprindo a norma, colheu as declarações de bens dos inscritos e deu-as a conhecimento público. Pelo informe do TSE verifica-se que os candidatos com maior exposição na mídia, o atual presidente entre eles, são felizes proprietários de bens patrimoniais e investimentos de causar inveja a milhões de patrícios.

Segundo a declaração apresentada ao TSE, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou sua riqueza em R$ 839 mil, graças à evolução de 98,4% verificada nos últimos quatro anos -em 2002 tinha R$ 422,9 mil. A inflação medida pelo IPCA no período ficou em 38,7%, mas a expansão do patrimônio do presidente foi de 59,7 pontos percentuais acima da alta dos preços. Desempenho digno dos maiores encômios e, admitamos, que a maioria abarcante dos brasileiros de classe média baixa apreciaria obter em igual espaço de tempo.

Numa fase em que os assalariados tiveram a renda comprimida e viram-se compelidos a cortar gastos com determinadas prebendas da sociedade do bem-estar – carro novo, escolas particulares, viagens e restaurantes -, as contas de Lula foram muito bem recompensadas pela política de juros altos de seu governo. O presidente declarou ter 56,4% do patrimônio, ou R$ 417,3 mil, depositados em fundos de investimentos e R$ 57,3 mil em cadernetas de poupança, além de ser dono de um lote de ações da Petrobras, Companhia Vale do Rio Doce e Banco do Brasil. Lula declarou também a propriedade de cinco imóveis e uma caminhonete S10. Lendo um desses manuais abundantes na área, nos deparamos com um investidor pouco afeito a riscos desnecessários e, destarte, bastante satisfeito com os extratos enviados pelas instituições escolhidas para fazer a multiplicação de suas economias.

O líder da oposição, senador Alvaro Dias, tranqüilizou a população ao revelar que a evolução do patrimônio pessoal do presidente Lula é compatível com sua renda mensal, frisando que esse crescimento seguiu a lógica dos indicadores da economia brasileira. O salário mensal do presidente da República é de R$ 8.885,48, acrescidos por uma aposentadoria de R$ 4.294 mil. Na somatória, um belíssimo rendimento, embora muitos insistam que essa é uma realidade fruída por restrito número de privilegiados. Aliás, um dado que distancia ao infinito o presidente do universo de pobres pelo qual ele esbanja tanto prazer em trabalhar.

O ex-governador Geraldo Alckmin é dono de R$ 691,7 mil, mas perde para o senador Cristovam Buarque, candidato do PDT, que declarou possuir R$ 762,2 mil. A senadora Heloísa Helena tem bem menos (R$ 121 mil) entre veículos e a sexta parte de um apartamento em Alagoas. O banho de bola nos demais candidatos à Presidência foi dado, porém, pelo corretor de seguros Luciano Bivar (PSL) ao declarar R$ 8,87 milhões de patrimônio pessoal. Entre os candidatos a vice-presidente nenhum chega às chinelas do argentário José Alencar, fundador da Coteminas e piloto da fortuna individual de R$ 12 milhões.

Caso não haja turbulência no comportamento da economia e o quadro das finanças pessoais do presidente não sofra danos imprevistos, repetida a façanha dos últimos quatro anos e considerada a hipótese do segundo mandato, Lula deixará o cargo em 1.º de janeiro de 2011, grosso modo, com o patrimônio avaliado em R$ 1,7 milhão. Nada mau para um ex-retirante…