A contratação do técnico Paulo César Carpegiani para dirigir o time do Corinthians se encaixa no perfil que a diretoria do clube vinha dizendo buscar: alguém com um salário inferior ao que se pagava a Emerson Leão (cerca de R$ 500 mil) e com a intenção de utilizar os garotos que atuam nas categorias de base. O treinador já antecipou que esta será sua filosofia.

"Futebol sempre tem um começo. O jogador jovem precisa de oportunidade. Se você tem um time bem montado, não tem como lançar os garotos. A partir do momento que você tem a oportunidade, coloca. Se esse é o momento, não vejo dificuldades. Vamos tentar corresponder às necessidades da melhor forma possível. A garotada merece essa oportunidade", disse Carpegiani, em entrevista ao programa Jogo Aberto, da TV Band.

Mesmo com toda a pressão que existe no clube devido aos problemas pelo qual passa – tanto financeiros quanto técnicos pela seqüência de campanhas negativas nas competições, o técnico diz não temer o futuro.

"O desafio é do tamanho do Corinthians. Estava acertado com o Paraguai no ano passado, minha meta era a Copa América deste ano. Recusei várias possibilidades neste ano. O que está passando fora [crise política] não posso estar integralizado. Futebol é resultado e dependemos deles para conseguir fazer algo bom.

Ainda sem tempo para avaliar os jogadores que estão no grupo, Carpegiani indica sua primeira preocupação em relação ao time será acertar a parte tática. "Parto do princípio de que existe um nivelamento. Vi o jogo contra o Santo André e a garotada mostrou empenho. Podemos trabalhar posicionamento, que vi que existem falhas que podem ser corrigidas.

"Não tive a oportunidade ainda de verificar a situação dos jogadores. Se eu tiver na mão grandes jogadores, quero que permaneçam. Parto do princípio de que não sou dono da verdade. Sou um mero empregado do clube. Gosto de conversar com direção, jogadores, resolvo problemas internamente", explica, em relação ao seu estilo de trabalho e adiando a possibilidade de dispensas imediatas de jogadores.

Sobre seu contrato, de um ano, trazendo como auxiliar o técnico Cláudio Duarte, Carpegiani diz que não terá problemas quando tiver de sair. "Não tenho multa. Não tenho que ter isso para me segurar no clube. Quero desenvolver um trabalho. Eu não vou pedir contratação, sempre peço por empréstimo. Ele tem que agradar a torcida primeiro, daí tentamos contratar em definitivo. Minha prioridade é a garotada.

Ele será apresentado à tarde no Parque São Jorge e na terça viaja para Recife, para encontrar os jogadores que enfrentarão o Náutico, pela Copa do Brasil, na quarta.