São Paulo – O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), pré-candidato a presidente, assumiu hoje o compromisso de ser "o primeiro a erguer a bandeira e trabalhar" para a candidatura tucana, caso seja preterido e a opção do partido recaia sobre o prefeito da capital paulista, José Serra (PSDB), ou o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), pré-candidatos a presidente. A afirmação do governador foi feita no encontro de prefeitos tucanos, realizado hoje na cidade.

"Se o prefeito Serra for o candidato, vou trabalhar, usar meu prestígio e minha influência para a campanha dele, como trabalhei, aliás, na campanha pela Prefeitura da maior cidade do País e que o PSDB nunca tinha ganho", disse, admitindo, assim, a possibilidade de não ser o candidato da legenda.

Neste momento, o prefeito de São Paulo, que também discursou na reunião de prefeitos tucanos, havia deixado o auditório do Hotel Crowne Plaza. Depois de reiterar a fidelidade partidária, Alckmin voltou-se para a platéia, composta na maioria de aliados políticos dele, para dizer que, "com a mesma franqueza", pretende disputar a eleição presidencial.

Neste instante, foi interrompido por aplausos, alguns deles de prefeitos em pé. "Sou o soldado Alckmin, que se apresenta para apoiar o PSDB", repetiu, no encerramento do encontro, ovacionado pela platéia, com todos os prefeitos o aplaudindo em pé.

Antes, entretanto, disse que não quer ser candidato para derrotar o PT ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque isso seria "o de menos", mas que entende que, além dos aspectos éticos, a campanha deste ano exigirá um bom programa de governo, uma vez que, na visão dele, o modelo petista de administração "fracassou".

"O governo atual é extremamente de mediano para pior, inábil, politicamente, incompetente, administrativamente, e frouxo, sob o ponto de vista ético", atacou. "Acabou a mágica e a bravata. A vitória do PT em 2002 desmistificou tudo isso. Agora, é pão pão, queijo queijo", complementou.

Em seguida, o governador de São Paulo minimizou o fato de as pesquisas de intenção de votos o porem em situação inferior a Serra na disputa com Lula. "Nível de conhecimento é uma coisa, e outra é intenção de voto. O Didi (jogador de futebol) dizia que treino é treino e jogo é jogo", afirmou.

Para reforçar a linha argumentativa, Alckmin lembrou que em 1998, o governador Mário Covas disputava a reeleição e que o favorito, segundo os levantamentos, em julho daquele ano, era o ex-prefeito Paulo Maluf (PP).

"O Maluf tinha 43% das intenções de voto e todos os outros, somados, chegavam a 41%. O que os jornais diziam é que Maluf ganhava no primeiro turno", afirmou, mas, ao fim do segundo turno, as urnas deram a Covas a reeleição.

Outro exemplo por ele citado foi o do referendo pelo desarmamento, em 2005, em que, em menos de 30 dias, a proibição da venda de armas foi rejeitada, após mais de seis meses as sondagens de opinião terem apontado uma vitória da não-permissão.

"A população sabe o que faz. Para isso, basta ter informação", opinou, referindo-se, claramente, ao que considera ser o potencial de crescimento dele, após o início da publicidade eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

Como Serra, Alckmin também admitiu que o PSDB ainda não possui potenciais candidatos a governador liderando pesquisas de intenção de voto. Mas ressalvou, entretanto, que o partido administra o Estado há 12 anos, com ele e Covas, e que os governos tucanos no Estado possuem "o maior índice de aprovação da história". "Nenhuma eleição é fácil, mas temos todas as condições de dar continuidade do nosso trabalho", apontou.