Literalmente colocado entre a cruz e a espada pelas execráveis cenas exibidas pela mídia do estágio calamitoso das rodovias federais que cortam o País, o presidente Lula agora determina a transformação em emergência daquilo mesmo que ele, na campanha eleitoral, denunciara como a principal mazela do governo antecessor.

O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transporte (DNIT), órgão subordinado ao Ministério de Transporte, finalmente vai começar de inopino a operação tapa-buracos em 7,5 mil quilômetros, nos quais simplesmente a estrada desapareceu, do total de 26,5 mil quilômetros por onde se espraia a vergonha nacional.

O Diário Oficial da União publicou a Portaria 1806 instituindo o Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas, e o governo liberou por meio da MP 276 recursos da ordem de R$ 350 milhões para as obras emergenciais, que não requerem a abertura de licitação pública.

As obras começam na próxima segunda-feira e têm prazo de seis meses para serem concluídas, incluindo a recuperação do pavimento, pontes e sinalização. Excelente idéia, porque na hipótese de candidatura à reeleição, Lula estará amparado pela legislação eleitoral e, decerto, comparecerá a todas as solenidades de reinauguração de um patrimônio roído pela inépcia acumulada de administrações sucessivas, incluindo a sua.

O fracasso reconhecido tardiamente pelo governo, sob o impacto do grande número de acidentes com vítimas fatais nas rodovias, nas duas últimas semanas do ano, ganhou um nome à altura da atual visão de conjunto: tapa-buracos.

Esbulhados pelo leviatã devorador de impostos e tributos, os contribuintes não sabem se choram ou riem.