Dirigentes das principais centrais sindicais, que realizaram nesta quarta-feira (6) a 3ª Marcha Nacional do Salário Mínimo, querem entregar nesta quinta-feira ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo, um documento reivindicando a adoção de um salário mínimo de R$ 420 a partir de março de 2007. Além disso, eles pedem a correção da tabela do Imposto de Renda em 7,7% e uma política de valorização permanente do mínimo.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defende um salário mínimo de R$ 367 reais ? ou seja, abaixo dos R$ 375 reais previstos na proposta orçamentária. De acordo com o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, esses são valores insuficientes: "As centrais sindicais estão propondo R$ 420 para negociação. Talvez esse valor não seja atingido, mas não podem ser os R$ 367, nem os R$ 375. Precisamos chegar a um meio termo", afirmou.

Já o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos, disse que o objetivo da manifestação desta quarta-feira foi "fazer pressão sobre o Congresso e sobre o Executivo para obter uma vitória de toda a classe trabalhadora."

De acordo com o relator-geral do projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2007, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), a correção da tabela do Imposto de Renda deverá ser de 6%, ao longo de dois anos: 3% em 2007 e 3% em 2008.

Manifestação

Cerca de 10 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, participaram da marcha na Esplanada dos Ministérios. O seminário "A valorização do salário mínimo e o desenvolvimento", no auditório Nereu Ramos, marcou o encerramento da manifestação. Promovido pela CUT e pela Força Sindical, em parceria com outras centrais sindicais, o seminário teve também a participação de representantes do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese); da Universidade de Campinas (Unicamp); e de parlamentares.

O deputado Tarcísio Zimmermann (PT-RS) disse que, nos últimos anos, o movimento sindical voltou a colocar em pauta a questão do salário mínimo. Segundo ele, toda a ênfase costumava ser voltada às campanhas salariais.

"Hoje, nós temos uma política de recuperação do mínimo fundamentalmente por conta da ação do movimento sindical, que trouxe para dentro da Câmara e do governo uma reivindicação que não pode mais ser postergada", ressaltou.

A pauta de reivindicações já foi entregue nesta quarta-feira ao presidente do Senado Renan Calheiros. Na quinta-feira, o documento será encaminhado pelos dirigentes das centrais a ministros, para dar início ao processo de negociação que vai definir o novo valor do salário mínimo.