A Controladoria-Geral da União (CGU) deve divulgar, na próxima semana, um novo relatório parcial da auditoria realizada na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). O relatório seria divulgado hoje, mas a CGU não conseguiu concluir o trabalho.

O primeiro relatório parcial da auditoria foi divulgado no dia 12 de julho com o resultado da análise de 69 contratos e licitações feitos desde 1999 pelos Correios. O relatório concluiu que havia irregularidades na maioria dos contratos analisados, que envolveram mais de R$ 1,7 bilhão e geraram prejuízos de mais de R$ 54 milhões.

Quando o primeiro relatório parcial foi divulgado, o chefe da Controladoria, ministro Waldir Pires, informou que as investigações vão continuar por tempo indeterminado. Ao todo, serão avaliados 600 contratos e mais de 400 licitações dos Correios. Pela grande quantidade de documentos que serão analisados, a CGU tomou a decisão de não esperar o término da auditoria para divulgar o resultado e, sim, ir fazendo aos poucos.

O primeiro relatório apontou irregularidades nos setores de aquisição e distribuição de medicamentos, compra de impressoras portáteis e na área de correio noturno. Waldir Pires, afirmou ao divulgar o resultado, que as irregularidades encontradas são resultado de má administração na empresa. "Não temos dúvida de que todas as diretorias afastadas estavam envolvidas; umas mais, outras menos. Na verdade, isso é um problema de administração da empresa", afirmou.

A auditoria foi iniciada depois que a imprensa divulgou, em maio deste ano, uma fita de vídeo em que o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da estatal Maurício Marinho falava sobre a existência de um suposto esquema de corrupção na estatal, envolvendo arrecadação de fundos para o PTB.

A CGU investiga também o envolvimento de quatro ex-diretores em irregularidades: Antônio Osório Menezes Batista, ex-diretor de Administração; Eduardo Medeiros de Morais, ex-diretor de Tecnologia e Infra-Estrutura; Maurício Coelho Madureira, ex-diretor de Operações; e Ricardo Henrique Caddah, ex-diretor econômico-financeiro. Apesar de afastados das diretorias, todos ainda são funcionários do Correios.

Diferentemente do que acontece na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, o cronograma de depoimentos não é divulgado pela CGU e o conteúdo é mantido sob sigilo.