Os moradores de Chapecó (630 km de Florianópolis) não terão de se preocupar com o almoço no dia 12 de abril. No centro da cidade, ao ar livre, serão assadas e distribuídas para a população duas toneladas de frango, principal item das exportações catarinenses que vive uma séria crise devido à queda das vendas externas provocada pelo surto de gripe aviária. "Queremos mostrar que o nosso produto é saudável e de qualidade", afirma Osvaldo Mafra, secretário-geral da Federação dos Trabalhadores na Indústria de Carne de Santa Catarina.

Em reunião realizada hoje (20), com sindicalistas e patrões, a Força Sindical decidiu realizar a grande churrascada de frango para chamar a atenção das autoridades. "Com o produto represado devido à queda das exportações, o excesso de oferta no mercado interno fez o preço cair muito", explica Mafra. Segundo ele, uma agroindústria do oeste catarinense já colocou 300 funcionários em férias coletivas na semana passada e outra deve fazer o mesmo nos próximos dias. Se nada for feito para reverter esse quadro dentro de 60 a 80 dias, diz ele, as demissões devem começar. "Não sei dizer se serão mil, cinco mil ou dez mil, mas elas virão." Toda a cadeia produtiva, de acordo com Mafra, gera entre 50 mil a 60 mil empregos diretos e de 170 mil a 200 mil indiretos.

Os trabalhadores querem que os governos federal e estadual adotem medidas que possam minorar o efeito da crise. Entre as reivindicações estão a redução de tributos, como ICMS e Cofins, para que as empresas possam continuar operando sem recorrer às demissões, além de crédito subsidiado aos pequenos e médios empresários; campanha de esclarecimento sobre consumo de aves e riscos para a saúde e medidas fitossanitárias eficientes para o caso de epidemia. "Alguma coisa deve ser feita, mesmo que temporariamente", explica Mafra.

Antes de servir o frango, na manhã do dia 12 deve ser realizado o Fórum Nacional sobre a Gripe Aviária. "Nossa preocupação imediata é com relação as exportações. Temos de mostrar que não há qualquer risco em relação ao nosso produto", afirma Mafra. A estimativa é de que já houve uma redução entre 15 e 25% da produção de frangos no Estado, que é o segundo maior produtor e o principal exportador do País, respondendo por quase 30% do total vendido ao mercado externo.

Segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), o temor da gripe aviária, principalmente na Europa, fez despencar as exportações catarinenses do produto. Em fevereiro, a queda nas vendas catarinenses de frango foi de 22,5% em relação a janeiro. No mês passado, a queda já havia superado os 20% em relação a dezembro.

Na semana passada, a Fiesc aproveitou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Santa Catarina para entregar um documento em que reivindica a regionalização sanitária da avicultura por blocos de Estados; a mobilização, como projeto nacional de emergência, em torno de ações que resultem na obtenção pelo Brasil da Certificação da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para reconhecimento para Santa Catarina de status sanitário livre de febre aftosa sem vacinação; e a realização de ampla campanha oficial, no Exterior, destinada a demonstrar que o Brasil não se encontra atingido pela gripe aviária.