Os investidores buscam rentabilidade e segurança. Há os que arriscam para obter maior rentabilidade, deixando a segurança em segundo plano. O inverso também acontece. Isso vale para investidores individuais, fundos, bancos, empresas de seguros, enfim, quem quer que tenha recursos e os destinem a investimentos no mercado, que pode ser só nacional, nos dias de hoje algo muito raro, ou internacional, neste mundo global. A rentabilidade é tanto maior quanto menor for a segurança. E se há insegurança, o tomador tem de oferecer maior rentabilidade para atrair as aplicações.

A segurança ou insegurança resulta de uma análise da capacidade e disposição de o tomador pagar os investimentos que recebe. Existem, portanto, riscos econômicos, políticos e até morais. Se o empréstimo é feito para uma instituição, empresa ou país sólidos, há segurança econômica. Se é feito, por exemplo, para um país cujo governo costuma dar calotes ou brincar com políticas econômicas heterodoxas e pouco confiáveis pelo mercado, ou para países cujos governos não são estáveis, há riscos políticos e morais.

O deputado federal e senador eleito Aloízio Mercadante, respeitado economista do PT, declarou que o futuro governo vai dar “um choque de confiança” nos investidores. Disse o parlamentar petista que esse choque será prioridade para Lula e se dirigirá especialmente aos investidores internacionais. Mercadante fez aquela afirmação no debate sobre estratégias para estimular o crescimento da América Latina, durante a cúpula de negócios para a região do Fórum Econômico Mundial. Na oportunidade, reafirmou que Lula e seu governo vão cumprir todos os compromissos firmados pelo governo FHC, inclusive os do acordo com o Fundo Monetário Internacional.

Esse choque de confiança, embora muito já tenha melhorado a situação do Brasil como tomador de recursos no mercado, se faz necessário. Como se sabe, o nosso país é um grande devedor. Sustenta o seu desenvolvimento praticamente só com recursos de poupanças de terceiros. No período eleitoral, como já se vislumbrava uma vitória do candidato do PT e este havia, até bem pouco tempo, pregado uma moratória, ou seja, um calote geral, além do fato de se tratar de uma perspectiva de vitória das esquerdas, aumentou a desconfiança no Brasil como tomador de empréstimos. Isso nos obrigou a elevar os juros oferecidos aos investidores e, mesmo assim, muitos se retraíram ou até sacaram capitais aqui investidos.

O atual governo insistiu, diante do mercado, que Lula e o PT são confiáveis e insistiu com estes para que fizessem declarações públicas assegurando que manteriam os estamentos da nossa economia e cumpririam os compromissos assumidos. Acontece que a dívida brasileira não é só do governo federal, mas também dos estados, municípios, empresas públicas e privadas. E há muita gente dando palpites na matéria, de vez em quando escapando uma ou outra frase que reacende a desconfiança que vem sendo controlada. O problema mais crucial é em relação às empresas privadas brasileiras que devem no exterior e precisam renovar suas linhas de crédito ou mesmo obter novas.

Mercadante chegou, na oportunidade, a apelar para Kenneth Dam, representante do Tesouro norte-americano, para que se restabeleçam essas linhas de crédito para as empresas brasileiras. O problema é que elas são privadas e, aí, o governo norte-americano pouco ou nada pode fazer.