Com as chuvas nas cabeceiras do Rio Iguaçu a vazão nas cataratas chegou a 8 mil metros cúbicos, mostrando uma nova face das quedas d’água mais famosas do Brasil, atraindo a atenção de turistas. A força das águas, três vezes superior ao fluxo normal, substituiu o branco das cachoeiras por um não menos atraente marrom barrento, dando um brilho diferente à paisagem.

O aumento da vazão agregou algumas cascatas menores às maiores, diminuindo assim a visibilidade de todas as 275 quedas d’água. Com a cheia, também aumentou a névoa formada pelas gotículas que batem nas rochas. Se, em dias normais já era difícil caminhar pela passarela sem sair molhado, agora isso é impossível. O banho é o brinde para o constante arco-íris estampado no céu graças à enorme quantidade de água.

O choque da água nas rochas faz tremer a nova estrutura de vidro do Espaço Naipi, onde estão os elevadores panorâmicos, além de harmonizar ainda mais os sons da natureza. Na quarta-feira, a vazão era de 4,5 mil metros cúbicos por segundo, contra 1,5 mil metros cúbicos por segundo em dias tranqüilos. Na quinta-feira, a vazão chegou a 8 mil metros cúbicos.

De acordo com Isaías Barreto de Lima, que presta serviço para a Itaipu Binacional medindo diariamente a vazão do rio, o volume de água deve começar a baixar neste fim de semana, em média 1 mil m³ por dia, até restabelecer na média normal que é de 1,3 mil³.

Extremos

A vazão atual dos rios contrastam com os períodos históricos de cheias e de secas. De 1982, quando a Itaipu Binacional começou a monitorar os leitos, até hoje a maior cheia do Rio Iguaçu foi em 10 de julho de 1983. À época, o curso do rio abrigou 28,7 mil metros cúbicos por segundo. A vazão mínima foi de 134 metros cúbicos em 12 de outubro de 1988.