Manutenção e novas obras de saneamento realizadas pela Prefeitura estão melhorando a vida de curitibanos que, antes, conviviam com alagamentos em dias chuva. Foi o que se viu em alguns pontos da cidade nesta semana de muita chuva. Só na quarta-feira (31), por exemplo, o volume pluviométrico, segundo o Sistema Metereológico do Paraná (Simepar) foi de 74,2 milímetros. A média histórica registrada pelo Simepar em agosto varia de 43 milímetros a 85 milímetros.

Para reduzir riscos de alagamentos, a prefeitura faz a manutenção preventiva com limpeza, roçada e desobstrução de rios e córregos. Só neste ano por exemplo, foram retiradas 154 toneladas de lixo dos rios, um volume de resíduos que representa praticamente o triplo do retirado em todo o ano passado, de 51 toneladas.

A chuva intensa e o resultado das obras realizadas neste ano foi assunto, por exemplo, nas conversas dos comerciantes instalados no cruzamento das ruas Izaac Ferreira da Cruz com Francisco Derosso, junto à rótula, no bairro Alto Boqueirão.

"Esta foi uma semana que serviu de teste. Antes este ponto era terrível, carros parados no meio do alagamento, estragados, motoristas desesperados, os caixas eletrônicos do posto de gasolina eram invadidos pela água, um verdadeiro tumulto. O que vimos nesta semana é que a obra funcionou", comemorou José Carlos da Costa, proprietário da Isacar, loja de peças para carros, instalada há 11 anos no local.

A Prefeitura implantou uma galeria de águas pluviais de 70 metros de extensão, substituindo os antigos tubos de 40 centímetros de diâmetro por tubos de 60 centímetros de diâmetro. Os tubos antigos estavam quebrados por causa do tráfego intenso na rótula que existe no cruzamento, e do peso dos veículos, principalmente caminhões, que passam pelo local.

A água passou

O marceneiro Laureni de Jesus Portes Vieira, morador da rua 11 de Agosto, paralela à rua Waldemar Loureiro de Campos, no bairro Xaxim, também conseguiu ver o resultado de uma obra realizada recentemente pela Prefeitura. Apesar da chuva desta semana, o córrego que passa atrás da casa dele não transbordou, porque a água conseguiu passar sem ficar represada.

Na rua Waldemar Loureiro de Campos a Prefeitura colocou tubos de 1,2 metro de diâmetro ao longo de 80 metros de extensão no lugar dos tubos de 60 centímetros, que já não davam conta das águas das chuvas.

"Minha irmã perdeu o que tinha com alagamentos que ocorriam antes. Estamos reconstruindo a casa para que ela possa voltar. A obra funcionou", disse Vieira ao lembrar que esta obra foi solicitada pelos moradores por cinco anos.

A implantação de um canal de concreto de 100 metros de extensão na rua Major Theolindo Ferreira Ribas, no bairro Boqueirão e de uma galeria de águas pluviais nas ruas Ary Duarte Nunes e Tenente Coronel João Antônio Ramalho até o cruzamento com a rua Benedito Calixto, num trecho de 148 metros, no Uberaba, ajudaram a vazão das águas das chuvas.

Um dos exemplos mais impressionantes é o da rua Capitão Domingos Castellano, no bairro Santo Inácio, historicamente um dos pontos críticos de alagamento na cidade. Como os dois tubos de 1,5 metro cada eram pequenos para o volume de água das chuvas, a Prefeitura implantou uma galeria de seis metros quadrados ao longo de 210 metros.

"Todos estes são exemplos de obras que a população não vê sempre, mas que trazem resultado e melhoram a vida da comunidade", observa o diretor do Departamento de Obras e Saneamento da Prefeitura, Almir Bonatto.

Grelhas limpas

Ele destaca entretanto que, além de grandes obras, pequenos cuidados podem ajudar a população a enfrentar as chuvas. É o caso da limpeza das grelhas que tampam as caixas de captação. "Por causa do vento forte é comum, nesta época do ano, termos muitas folhas caídas pelo chão, que se acumulam sobre as grelhas e dificultam a vazão das águas das chuvas. Retirar estes galhos e folhas das grelhas em frente à sua casa ajuda muito, pois sem acúmulo de folhas a água pode fluir mais facilmente", justifica Bonatto ao destacar que Curitiba tem milhares de caixas de captação, pelo menos uma a cada 35 metros nas ruas pavimentadas.

O especialista da Prefeitura explica ainda que o depósito correto do lixo é outra medida valiosa. "Um simples plástico que fica preso numa grelha pode causar um imenso estrago. Objetos que fiquem esparramados pelas nossas ruas, rios córregos e fundos de vale podem funcionar como obstáculos à vazão da água", completa.

A manutenção feita em toda a cidade também protege a população dos alagamentos decorrentes das chuvas. Para garantir a limpeza, roçada e desobstrução de rios e córregos da cidade de janeiro a julho deste ano a Prefeitura fez a limpeza de 110.501 metros lineares de fundos de vale e 154 mil quilos de lixo foram retirados dos rios, total que representa praticamente o triplo do que foi feito em todo o ano passado, quando foram retirados 51.435 kg. A roçada nas margens dos rios e remoção do lixo foi realizada em 476.160 metros quadrados.

A desobstrução de galerias, limpeza de valas e manutenção de caixas de captação também fazem parte do trabalho dos Distritos de Manutenção Urbana. Só o Distrito do Boqueirão desobstruiu a tubulação com caminhão sugador numa extensão de 1,5 mil metros e limpou outros 2,1 mil metros de valas, serviço que também foi feito pelo Distrito que atende a Regional Cajuru em 1,9 mil metros. Lá foram limpas 693 caixas de captação.