O comportamento dos usuários paranaenses de drogas injetáveis mudou nos últimos anos devido a incidência do vírus da aids. No início da epidemia, na década de 80, esse grupo liderava, junto com os homossexuais, os casos positivos da doença. Hoje, eles representam 4,89% do total de casos de aids no Estado.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirma que, desde o início da epidemia, em 1984, foram registrados 12.557 casos de aids. O maior índice de pessoas contaminadas é dos heterossexuais, com 78,84% dos casos; 16,25% dos casos são homossexuais. Segundo a representante da Sesa, em um ciclo de palestras que discutiu o assunto ontem em Curitiba, Rita Smanioto, a mudança aconteceu porque tanto os usuários de drogas injetáveis como os homossexuais perceberam a vulnerabilidade em relação à doença e mudaram o comportamento, eliminando o compartilhamento de seringas e usando preservativos nas relações sexuais.

Apesar da redução desses números, a representante do Instituto de Prevenção e Atenção às Drogas da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Andrea Stachon, diz que eles podem não representar a realidade nacional. Ela citou que estudos feitos apenas na região Sudeste mostraram que 35% a 57% dos usuários de drogas injetáveis foram infectados pelos vírus da aids. “A previsão é que em todo o Brasil esse número deverá ser maior”, disse.

A profissional comenta que é preciso uma política para atingir essa população, como ações de redução de danos, distribuição de seringas e abordagem aos usuários. Ela comentou que os EUA conseguiram reduzir em quatro anos, com ações desse porte, em 86% o compartilhamento de seringas.