O governo compreendeu que não vai aprovar, no grito, a extensão do prazo de cobrança da CPMF. A pressão vem tanto dos aliados, que clamam por cargos de relevo no primeiro time da gestão federal, da oposição, que pretende eliminar a contribuição, e também dos empresários que botam pilha na manifestação batizada de ?Xô, CPMF!?.

Isolado em sua pretensão de continuar metendo a mão no bolso dos contribuintes, a cavaleiro duma carga tributária que representa 36% do Produto Interno Bruto (PIB), na verdade, o governo sequer possui um argumento convincente para defender a continuidade da CPMF.

Basta ver o descalabro da saúde pública, destino hipotético dos recursos (cerca de R$ 40 bilhões por ano), que continua a parecer para a cidadania um autêntico circo de horrores.

Para evitar a derrota no Congresso, o governo remendou o discurso e já fala que sem os recursos da CPMF haverá dificuldade para manter o Bolsa Família, arrumar o caixa do SUS e – caiam os céus! – até pagar a aposentadoria de um milhão de pessoas.

Apostando no grau de sensibilização popular para a questão social, o governo pretende obter dividendos favoráveis na votação da proposta. Um dos elementos do discurso é que, nos últimos quatro anos, cerca de R$ 90 bilhões provenientes da arrecadação da CPMF foram aplicados na saúde, previdência e combate à pobreza.

O Ministério do Planejamento elaborou um documento, onde se lê que a CPMF é contribuição solidária e vital para diminuir o desequilíbrio social…