O candidato da Frente Trabalhista a presidente, Ciro Gomes (PPS-PDT-PTB), afirmou há pouco, em exposição na 3.ª Conferência Nacional da Indústria da Construção Civil, que a principal mudança a ser feita no País é o desenvolvimento, que será conseguido com investimentos. Para investir, entretanto, segundo Ciro Gomes, é preciso que o Brasil desenvolva a poupança. Ele afirmou que, em relação à poupança pública, a nação vive uma situação ?explosivamente negativa?.

Segundo Ciro Gomes, apesar do ajuste fiscal e de uma carga tributária real de 34% do Produto Interno Bruto (PIB), o País deve ter um superávit primário do setor público federal de R$ 25 bilhões, antes do pacote de medidas anunciado na semana passada pelo Ministério da Fazenda, e uma despesa de R$ 93 bilhões com juros para carregar a dívida interna. Além disso, o Brasil tem, segundo o candidato da Frente Trabalhista a presidente, um déficit nas transações correntes de US$ 47 bilhões.

Em relação à poupança privada nacional, Ciro Gomes afirmou que ela soma hoje apenas 18% do PIB, quando seria necessário pelo menos o dobro para assegurar 5% de crescimento do PIB ao ano. Essa, segundo o candidato da Frente Trabalhista, é a taxa mínima indispensável para criação de empregos suficientes à demanda brasileira.

Ciro Gomes disse ainda que, além da poupança pública e da poupança privada nacional, a outra forma de financiar o crescimento é a poupança externa, sobre a qual ele falou. O candidato afirmou que a dificuldade política existente hoje no Brasil é que o setor mais favorecido pela atual política de governo é o sistema financeiro.

Segundo Ciro Gomes, esse setor ?vai muito bem? e tem um poder de articulação maior do que o produtivo porque financia as campanhas eleitorais. ?Teremos de enfrentar estes interesses?, disse, orando para um auditório de empresários da construção. Segundo o candidato, a área financeira é a que obteve a maior lucratividade nos últimos dez anos.