Terceira maior exportadora do País, a SAB Trading S/A – empresa citada na Operação Têmis – negou que tenha pago propina para obter sentenças judiciais favoráveis. ?Tudo não passa de um processo inquisitorial, aberto com base em denúncia anônima traiçoeira?, reagiu seu advogado Nabor Bulhões. ?Não fomos ouvidos nesse inquérito absolutamente unilateral.

A SAB foi citada em carta anônima à Procuradoria da República. No envelope havia nota fiscal emitida em 2003 pela Neves Vianna Empreendimentos à SAB por serviços prestados. O valor da fatura é de R$ 1,785 milhão. Procuradores suspeitam que a nota encobriu pagamento de propina a juízes. ?É um absurdo?, indigna-se Bulhões. ?A SAB e a Neves Vianna mantêm parceria há 11 anos. Todos os serviços prestados foram regulares.

Bulhões avalia que o procedimento que aponta para a SAB ?é irresponsável porque afeta a credibilidade de uma empresa de tradição.? No ano de emissão da nota fiscal, a SAB havia entrado com ação na Justiça requerendo compensação de R$ 211 milhões em créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Embora a cobrança ocorra na esfera administrativa, divergências sobre o prazo de validade do benefício levaram a empresa a ingressar com três mandados de segurança.