Pesada sombra de inquietação paira sobre a população de Israel, tendo em vista a inflexível determinação do governo para que os moradores dos assentamentos da Faixa de Gaza deixem suas casas até a próxima segunda-feira, dia 15.

Anteontem, mais de cem mil judeus se reuniram para rezar e cantar nas cercanias do Muro das Lamentações, lugar sagrado das peregrinações do povo de Israel por constituir o único vestígio remanescente do Tempo de Jerusalém. O anseio geral é que a ordem de retirada seja cancelada.

Autoridades do exército admoestaram os colonos para que se retirem sem esboçar resistência até o dia 17. Depois desse prazo, a ordem é retirá-los pela força e tal determinação pode descambar num conflito fratricida jamais observado desde a organização do Israel moderno, em 1947.

Menos de duas mil famílias judaicas residem nas colônias da Faixa de Gaza. Não é o número de pessoas que preocupa as autoridades, mas a probabilidade concreta de choques armados entre militares e civis. Muito pior, na avaliação deles é a oportunidade aberta para ataques de grupos radicais palestinos.

O ultimato dado aos assentados em espaço reivindicado pelos vizinhos árabes visa remover obstáculos à celebração da ansiada paz entre Israel e a Autoridade Palestina. Nesse sentido quaisquer sacrifícios são aceitáveis, mas em nenhuma hipótese a comunhão internacional poderá concordar com atitudes passíveis de resultar na morte de pessoas inocentes.