O quarto trimestre deste ano deve ser marcado pela intensificação da atividade industrial, segundo avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os indicadores de outubro, divulgados ontem, mostram expansão das vendas e das horas trabalhadas sem aumento do uso da capacidade instalada das fábricas, o que indica que a recuperação não traz riscos de pressão inflacionária. A abertura de postos de trabalho também aumentou, mantendo a tendência dos últimos meses.

Tanto as vendas reais quanto as horas trabalhadas registraram as maiores taxas de crescimento deste ano na comparação com o mesmo mês do ano passado. As vendas da indústria de transformação cresceram 1,69% em outubro, na comparação com setembro, descontando os efeitos sazonais, e de 10,74% em relação a outubro de 2005.

No acumulado de janeiro a outubro, a alta é de 1,43% em relação a igual período de 2005. As horas trabalhadas, indicador mais diretamente associado à produção, aumentaram 1,23% na comparação com setembro, e 6,02% em relação a outubro de 2005. No acumulado do ano, as horas trabalhadas na produção cresceram 1,77%.

"Se ao longo do ano o crescimento foi moderado, outubro mostra recuperação", observou o economista da CNI Paulo Mol. "Os dados acabam sendo um bom indicador do que se espera para o fim do ano quando há um maior crescimento industrial. As vendas e a produção sinalizam que as encomendas que vieram do varejo foram boas e devemos ter um quarto trimestre melhor que os anteriores.

Para Mol, a demanda de fim deste ano deve ser mais forte que a de 2005. "O Natal deve ser melhor que o de 2005, mas nada que vá explodir", avaliou. Ele atribui esse aquecimento à queda dos juros e ao aumento da renda das famílias.

O economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco, acredita que a recuperação da atividade industrial no quarto trimestre não deve ser suficiente para provocar o aumento da estimativa de projeção da CNI para o crescimento da economia, de 2,9% em 2006.

Para a CNI, as vendas da indústria em outubro são especialmente fortes porque a base de comparação é alta. As vendas já haviam crescido 1,79% em setembro, embora os dados do IBGE sobre a produção industrial no mesmo mês tenham sido negativos.