Combatentes islâmicos que tentam derrubar o governo somali fizeram nesta terça-feira (26) um recuo tático em três frentes na Somália, diante do avanço das tropas etíopes, que apóiam o governo do país vizinho. A informação é de um líder muçulmano. O governo somali, apoiado também pela comunidade internacional, pediu à União das Cortes Islâmicas – a milícia que já controla boa parte da Somália – para abandonar as armas e se render em troca de uma anistia, disse o porta-voz governamental Abdirahman Dinari em Baidoa, sede do governo.

O xeque Sharif Sheik Ahmed, líder do órgão executivo das Cortes Islâmicas, afirmou que o grupo decidiu recuar suas tropas em algumas áreas e se preparar para uma ação de guerrilha. "A guerra está entrando em nova fase", explicou. "Vamos lutar contra a Etiópia por muito, muito tempo e esperamos que a guerra se estenda para todos os lugares." Alguns líderes islâmicos ameaçaram até mesmo enviar homens-bomba para a capital etíope, Adis-Abeba.

O recuo ocorreu um dia depois de a Força Aérea da Etiópia ter bombardeado os dois principais aeroportos da Somália e ajudado as forças do governo vizinho a capturar várias vilas que estavam sob controle das Cortes Islâmicas. Mas confrontos prosseguiam hoje.

No domingo, a Etiópia declarou guerra contra a milícia União das Cortes Islâmicas. Adis-Abeba enviou tropas para "proteger sua soberania" em vista da infiltração de milicianos islâmicos em território etíope. A Etiópia exige o cumprimento rápido do plano que prevê o envio de uma força de estabilização das Nações Unidas à Somália.