A deflação nos preços dos combustíveis no atacado (-2,29%) levou à elevação menos intensa na taxa do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de setembro para outubro (de 0,36% para 0,21%), segundo informou nesta quarta-feira (18) o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. "Esta desaceleração (no IGP-10) foi muito concentrada nos combustíveis", afirmou. De acordo com o economista, se os preços dos combustíveis no atacado tivessem mantido, em outubro, o mesmo resultado registrado no IGP-10 de setembro (-0,01%), "o IGP-10 teria sido o dobro, 0,42%, e não 0,21%", disse.

No setor de combustíveis, os destaques ficaram por conta dos produtos cujos preços estão diretamente relacionados à movimentação da cotação do barril de petróleo no exterior – que tem se mostrado favorável. É o caso das quedas registradas em óleos combustíveis (-8%) e querosene para motores (-7,84%). Porém, outros combustíveis cujo comportamento estão mais relacionados aos acontecimentos no mercado interno também registraram queda. É o caso de álcool etílico hidratado (-3%) e gasolina (-0,98%).

Quadros explicou que a boa safra de cana-de-açúcar tem aumentado a oferta de derivados do produto – como é o caso do álcool, que tem registrado desacelerações e quedas de preços nos IGPs, recentemente. Já a gasolina tem sido favorecida indiretamente pelo álcool – já que contém 20% de álcool em sua formação. Com o comportamento dos combustíveis, os preços dos produtos industriais no atacado caíram 0,29% em outubro ante alta de 0 15% em setembro. Isso levou a uma desaceleração no IPA, no mesmo período (de 0,45% para 0,26%).

O coordenador considerou que, além dos preços do atacado, os preços do varejo também contribuíram para a taxa menor do IGP-10 visto que o IPC-10 passou de 0,22% para 0,10% de setembro para outubro. "Mas a influência do IPA-10 na desaceleração (do IGP-10) foi maior", afirmou.