O presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, está retornando de aprazível estada em Nova York, a capital do mundo. Lá não houve furacões e ele desfilou pelas ruas a bordo de impecável carro branco, identificado com a placa da instituição que preside, além de ter discursado num evento da ONU sobre os fundamentos democráticos do parlamento livre e soberano.

Enquanto isso, em Brasília, o ex-gerente do restaurante Fiorella, que funcionava nas dependências da Casa, mostrava a cópia de um ofício assinado por Severino em 2003, na época em que foi primeiro-secretário, autorizando o funcionamento do ponto comercial por mais três anos, sem necessidade de licitação.

Confrontado com a notícia vinda do Brasil, deambulando pelos longos corredores da ONU, Severino a princípio negou a existência do ofício, mas, apertado por jornalistas, acabou afirmando que jamais assinaria documento dessa espécie. O drama é que seu jamegão está no referido papel. Um trabalho para a competência de peritos e grafologistas.

A oposição quer porque quer a saída voluntária de Severino da presidência até o esclarecimento total do imbróglio, mas, decidido a fincar pé, o sertanejo da gota promete resistência estóica. O risco é arcar com representação junto ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar e perder o mandato.

Todos estão lembrados de certa expressão carregada de cinismo no depoimento inicial do deputado Roberto Jefferson, sobre a farândola de ?assuntos republicanos e não republicanos?. Pois essa é mais uma azeda charada que os deputados precisam desvendar.