Os integrantes da Comissão de Estudos da Tarifa reuniram-se na manhã desta quinta-feira (12) para discutir a integração metropolitana no transporte coletivo e o seu impacto no valor da passagem de ônibus. A reunião teve a participação do secretário estadual de Assuntos Metropolitanos, Edson Strapasson, e do presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), Alcidino Bittencourt.

O presidente da Urbs, Paulo Schmidt, que preside também a comissão da tarifa, explicou que, no sistema atual, o transporte da região metropolitana é subsidiado pelos passageiros de Curitiba. "A ampliação das distâncias da rede de transporte nos últimos anos não foi compensada por um aumento compatível no número de passageiros. Por isso pode-se entender que existe um subsídio do passageiro de Curitiba ao passageiro da região metropolitana", afirmou Schmidt.

Segundo estatísticas da URBS, a cobertura da RIT foi ampliada em 50% na última década. Em 1994, a quilometragem percorrida pelos ônibus foi de 94,6 milhões de quilômetros. Com a criação e ampliação de novas linhas, bem como a integração com municípios vizinhos, essa distância chegou a 147,5 milhões de quilômetros percorridos em 2004.

O custo das distâncias maiores é dividido por um número cada vez menor de passageiros pagantes. O número de pagantes hoje é praticamente igual ao de uma década atrás: cerca de 294 milhões. "A medida em que aumentam as distâncias, sem que haja ingresso proporcional de passageiros pagantes, há um limite para a sustentação desse modelo", disse o presidente da Urbs.

Ele defendeu a revisão do modelo tarifário atual, em que os deslocamentos mais longos, feitos pelos passageiros da região metropolitana, são compensados pelos passageiros de Curitiba. "Uma das soluções pode ser o subsídio do governo estadual com a desoneração do ICMS sobre o óleo diesel", disse Schmidt.

Entre os participantes da comissão, é consenso a necessidade de se manter a integração metropolitana. "O transporte tem uma importância estratégica para o desenvolvimento econômico e social de toda a região", afirmou o presidente da Comec, Alcidino Bittencourt.

O secretário Edson Strapasson falou sobre os projetos para ampliação do serviço de transporte nos municípios mais próximos da capital. Ele explicou que o governo estadual tem recursos garantidos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para pavimentar 75 quilômetros de vias e construir novos terminais de ônibus. As prioridades para este ano são a reforma do terminal do Alto Maracanã, e a construção dos terminais Guaraituba e Roça Grande.

O secretário defendeu a ampliação da rede e garantiu que não haverá impacto sobre o preço da tarifa, embora o valor global do projeto seja de R$ 117 milhões. "Os investimentos serão feitos com 65% de recursos do BNDES e 35% do governo estadual", disse ele.

Custos

O peso da integração metropolitana sobre a o valor da tarifa também tinha sido discutido no último encontro da comissão, no final de abril. O gerente de operação da URBS, Luiz Filla, apresentou dados estatísticos referentes a março e abril de 2004, período em que houve uma separação temporária entre o sistema urbano, mantido com a Urbs, e o metropolitano, que passou ao controle da Comec.

Os custos individuais de cada município foram calculados dividindo a despesa do transporte pelo número de passageiros que pagam tarifa. O preço necessário para manter o sistema de Curitiba ficou em R$ 1,7191. Já o resultado matemático para a tarifa metropolitana chegaria a R$ 2,8236.

Atualmente, o transporte de Curitiba é integrado aos municípios de Pinhais, Piraquara, Fazenda Rio Grande, Araucária, Contenda, Campo Magro, Almirante Tamandaré, Itaperuçu, Rio Branco do Sul e Bocaiúva do Sul, bem como a São José dos Pinhais, Colombo e Campo Largo. A integração permite que o passageiro vá de uma cidade a outra, e faça conexões dentro de cada município, pagando uma única passagem.