A despeito do câmbio valorizado, a indústria ainda conseguiu gerar número maior de empregos que as demissões obrigatórias verificadas em determinados setores mais vulneráveis aos prejuízos avolumados das exportações. Nos dois últimos anos, a soma dos empregos gerados pelo setor totalizou 450 mil, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

O primeiro semestre de 2007, de acordo com as sondagens prévias já realizadas, deverá consolidar a tendência da oferta de empregos com a vantagem do crescimento do número de trabalhadores contratados com carteira assinada. Os setores que mais geraram empregos foram os de alimentos e bebidas, indústria farmacêutica, perfumaria, máquinas e equipamentos, siderurgia e indústria extrativa.

Uma análise ligeira mostra que os setores favorecidos pela expansão do consumo interno, estribado na melhoria da renda familiar, do emprego e do crédito, foram os que abriram novos postos de trabalho. Também tiveram comportamento satisfatório os setores que crescem arrastados pela onda altista dos preços internacionais das commodities.

Na extremidade oposta estão os setores industriais dos calçados, têxteis, confecções, tratores e máquinas agrícolas, adubos e fertilizantes. No final de maio foi anunciado o encerramento das atividades de uma grande fábrica de calçados, a gaúcha Reichert, com 20 plantas industriais em 11 municípios e quatro mil empregados dispensados.

Para os setores ligados ao agronegócio, afetados pela intensa frustração das duas últimas safras e pela valorização do câmbio, o cenário de curto prazo promete um alívio há muito aguardado. Ele se desenha na perspectiva de melhoria das cotações do complexo soja e também na expansão do plantio de milho e cana-de-açúcar, tendo em vista a ampliação dos projetos de produção de etanol.

Entre os analistas do ambiente de negócios há diferentes níveis de avaliação quanto aos efeitos positivos e negativos sobre a atividade produtiva, que não se comporta de maneira uniforme diante das realidades de um mercado cada vez mais competitivo.