O ministro das Comunicações, Hélio Costa, está preocupado com os reflexos que terá no mercado brasileiro de telefonia a compra da empresa italiana Telecom Italia pelo grupo espanhol Telefónica, junto com um consórcio de bancos italianos. O negócio, fechado no sábado passado, poderá resultar na criação de uma megaempresa de telefonia celular no Brasil, com mais de 54% do total de 102 milhões de clientes.

A Telefônica é dona da metade da Vivo e, com a compra da Telecom Italia, passaria a controlar também a TIM. ?Quando o domínio de uma empresa bate acima de 50% do mercado, acho que é sempre preocupante?, disse Hélio Costa ao jornal O Estado de S. Paulo. Ele afirmou que é preciso analisar se o negócio será bom para o consumidor ou resultará em prejuízo para a competição. ?Em princípio, espero que essa movimentação traga benefícios?, acrescentou ele.

Segundo o ministro, caberá ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidir sobre a conveniência ou não do negócio. Antes, no entanto, o assunto será avaliado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que pode vetar eventuais decisões das empresas. A assessoria da agência informou ontem que vai notificar as operadoras a prestar informações sobre a compra e então analisar a nova cadeia societária das companhias no Brasil. Só a partir dessa análise é que a agência irá se pronunciar.

O ministro Hélio Costa foi avisado do negócio no sábado pelo presidente da Telefônica no Brasil, Antônio Carlos Valente. O executivo falou pelo telefone por duas vezes com o ministro. Primeiro para dizer que a compra estava para ser concretizada e, depois, para confirmar a transação. Costa disse que, na conversa Valente procurou tranqüilizá-lo quanto à competição no País. ?A nossa preocupação também é a preocupação deles?, afirmou o ministro, que deve se reunir com o presidente da Telefônica nesta semana.