O ministro brasileiros das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta sexta-feira (22) em São Paulo que o fato de o governo brasileiro conceder asilo político ao ex-presidente do Equador Lucio Gutierrez "não significa de modo algum uma simpatia, preferência ou apoio em qualquer sentido. Ao contrário".

Segundo Amorim, o asilo tem como objetivo não só proteger uma pessoa que por motivos políticos se sente perseguida ou ameaçada mas também contribui para a paz social daquele país, já que, segundo o chanceler, a permanência do ex-presidente no Equador poderia causar foco ainda maior de agitação.

O ministro revelou ainda que um salvo-conduto chegou a ser concedido, mas foi posteriormente revogado pelas autoridades equatorianas, para as quais o salvo-conduto poderia causar maior convulsão social no país num primeiro momento. "Mas entendemos que a demora também tem efeito negativo", observou.

Ele disse ainda que o asilo político foi determinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque Gutiérrez escreveu uma carta, entregue à embaixada brasileira em Quito, pedido formalmente asilo e se comprometendo a seguir o estatuto do asilado, que proíbe a participação em manifestações políticas. "E o presidente Lula determinou que fosse concedido."

Segundo Amorim, tão longo venha para o Brasil, Gutierrez ficará alojado em uma casa, cujo local não foi informado, pertencente ao governo brasileiro. "Ele vai ficar lá durante um tempo razoável e depois veremos o que fazer", disse.

Amorim participou na manhã desta sexta-feira de uma palestra sobre o governo Lula no Tribunal Regional Federal da Terceira Região, na capital paulista.