A agropecuária registrou perda de R$ 16,6 bilhões na renda do ano passado, quando o Produto Interno Bruto (PIB) atingiu R$ 153,04 bilhões ? uma queda de 9,79% em relação a 2004. Já no agronegócio, o PIB no ano passado foi de R$ 537,63 bilhões, com queda de 4,66% na comparação com 2004.

Os números foram divulgados em entrevista coletiva do chefe do Departamento Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Getúlio Pernambuco, que previu para este ano "despesas maiores que a receita". O câmbio, acrescentou, "continuará a ser um fator desfavorável".

Também para o coordenador da área de Comércio Exterior da CNA, Antônio Donizeti Beraldo, "há clara perda de fôlego no dinamismo do agronegócio, apesar do crescimento de 8,5% no primeiro bimestre, com saldo de US$ 4,87 bilhões". Ele lembrou que em igual período do ano passado o crescimento foi de 23,4%, em relação a 2004, e que a participação das exportações do setor no total das vendas brasileiras caiu de 35,2% para 32,3%, com saldo comercial de US$ 43,5 bilhões.

Para este ano, ele prevê que "o máximo que se poderá conseguir é chegar a esse número, enquanto as importações deverão crescer na faixa de US$ 1 bilhão". O agronegócio, segundo Beraldo, "é o mais sensível a crises, pois exporta 40% do que produz, enquanto no resto da economia as exportações ficam entre 15% a 20% da produção".

A redução da renda no campo no ano passado, ainda de acordo com o coordenador, deveu-se também à perda de produção por problemas climáticos, além do aumento dos estoques mundiais de alimentos e dos casos de febre aftosa. Beraldo acrescentou que se o Brasil registrar casos de gripe aviária os prejuízos serão maiores. "A soja é um dos principais componentes da ração na avicultura", lembrou.