A favela Kelson’s, na Penha, zona norte do Rio – desde dezembro controlada por uma milícia formada por soldados da PM e do Corpo de Bombeiros – foi palco, na manhã deste domingo, de um confronto que deixou nove mortos. Cerca de dez traficantes, em dois carros, foram à favela e mataram um cabo PM e três moradores.

O cabo Luiz Claudio de Souza Vargas, de 34 anos, do 16º BPM (Olaria), era, segundo moradores, um dos chefes da milícia. Ele foi executado na pista lateral da avenida Brasil, que dá acesso à favela. Seu carro, um Chevrolet A 20, foi metralhado e, somente na parte dianteira, era possível contar 48 perfurações.

No interior da favela, as vítimas foram o pedreiro Noelson Ribeiro de Azevedo, 53 anos, Adão Mario Rodrigues, de 26 anos e Sidnei Moreira de Azevedo, 32 anos. Segundo outros moradores, os três eram ligados aos milicianos. O pedreiro Noelson, que foi retirado de casa e executado na rua Nossa Senhora da Penha, dentro da favela, foi quem construiu, por ordem dos milicianos, segundo relato dos moradores, dois muros em entradas distintas da comunidade.

Na saída da favela, os traficantes trocaram tiros com guarnições da PM. Os cinco ocupantes do Peugeot placa KZU 2352, roubado, foram mortos. Todos, segundo os policiais da 22ª DP, tinham sido expulsos da favela Kelson’s pelos milicianos, no fim do ano passado, e estavam morando na Vila Cruzeiro, também na Penha, outra comunidade em que o tráfico é dominado pelo Comando Vermelho. Já os marginais que estavam em um carro Corola conseguiram fugir.

Para o delegado da 22ª DP (Penha), Alcides Iantoro, a invasão da favela pelos traficantes "não visava a retomada do espaço, mas o enfraquecimento dos milicianos".