Brasília (AE) – O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) enfrentará mais um processo de cassação. Provocado pela presidência nacional do PL, o presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, Ricardo Izar (PTB-SP), abriu hoje uma investigação para apurar o envolvimento de Jefferson na máfia de liberação de cargas que atua no Rio.

Ele é alvo de um processo de cassação, também a pedido do PL, por causa das denúncias do "mensalão". Segundo a representação do partido, Jefferson faltou ao decoro parlamentar por "não ter apresentado provas" do esquema. O relator deste novo processo deverá ser o deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), que também é o responsável pela primeira investigação. Izar decidiu abrir processo diferente porque os casos não se interligam.

Gravações da Polícia Federal (PF) mostravam apadrinhados de Jefferson liberando cargas.

O deputado do PTB do Rio aparece nas conversas, intercedendo a favor de um policial envolvido no esquema e que enfrentava uma sindicância interna no Ministério da Justiça.

Antônio Carlos Correa, indicado por Jefferson para a chefia da Superintendência da Polícia Rodoviária Federal no Rio, também é flagrado nos grampos. Ele foi exonerado do cargo na sexta-feira (05).

Os diálogos foram interceptados entre 2003 e 2004, durante a investigação da PF sobre a máfia dos combustíveis. Em novembro, a PF prendeu 22 policiais rodoviários federais na Operação Poeira do Asfalto, resultado das investigações.

Apesar do material explosivo, os indicados de Jefferson não foram presos pela PF na operação. As gravações constam de processo que corre sob segredo de Justiça na 5ª Vara Federal do Rio.