Com o processo de recuperação do crescimento apresentando sinais visíveis de vigor no primeiro semestre de 2007, a indústria brasileira mostrou estar preparada para romper os ciclos desfavoráveis que travaram seu desenvolvimento – pelo menos -, nos últimos dez anos.

Desde o final de 2006, se percebeu o aumento contínuo da produção industrial em ritmo crescente, levando os analistas a afirmar que o ritmo continuaria elevado nos anos seguintes. E os números recentemente divulgados deram inteira razão àqueles que acreditaram na chegada duma fase de crescimento apta a se consolidar.

Os setores com os melhores desempenhos foram o de máquinas e equipamentos (19%) e veículos automotores (10,8%), com desempenho considerado excelente para o segmento de bens de capital, que registrou a maior variação entre as categorias (19,4%), o maior índice desde agosto de 2004, quando cravou 30,8%.

Outros ramos industriais em destaque no primeiro semestre foram os de metalurgia básica, alimentos, máquinas para escritórios e equipamentos de informática. Todavia, lamenta-se, pela enésima vez, que setores caracterizados pela intensidade da demanda de mão-de-obra, como vestuário e calçados, contabilizaram no mesmo período o agravamento da crise prenunciada há muito tempo.

Contudo, alguns elos significativos do segmento, como o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), mesmo comemorando os bons resultados, batem na tecla que a expansão ainda se situa abaixo das expectativas. Um dos sinais remete para o crescimento da produção induzida pelo aumento do mercado interno e, também, para os setores que concorrem com as importações que estão com os reversos ligados, para usar uma expressão atualizada.

O País tem potencial para continuar expandindo as taxas de crescimento, mas o governo não pode fazer que não enxerga obstáculos de vulto, como política cambial, infra-estrutura e carga tributária. Os custos para investir no Brasil são 30% e 118% superiores aos da China e Coréia, respectivamente.

Apenas a Tailândia e a Irlanda, segundo relação de 47 países elaborada pelo Iedi, têm custos de investimentos maiores que o brasileiro. Isso explica a dificuldade de atrair investimento produtivo em lugar do capital volátil.