Sete horas antes de parte do corpo da Estação Pinheiros do metrô vir abaixo, operários do Consórcio Via Amarela, responsável pela obra, realizaram uma explosão dentro do túnel. Engenheiros ouvidos pelo Estado admitiram a possibilidade de a detonação ter sido o estopim para o desabamento. Mas fizeram a ressalva de que até minutos antes do acidente, a leitura dos equipamentos que medem o recalque (rebaixamento) do túnel não indicava qualquer risco de prosseguir com os trabalhos de escavação. Representantes das empreiteiras dizem que só a investigação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) pode desvendar as causas do acidente, mas acreditam que uma série de fatores levou ao colapso.

A detonação, segundo informou o consórcio, ocorreu às 8h22 de sexta-feira. ?Caso não haja uma situação catastrófica, o recomendável em túneis é que se vá em frente mesmo?, conta o engenheiro Tarcísio Barreto Celestino, da Themag, um dos projetistas da Linha 4. ?Já estive diante de dados muito mais preocupantes do que esses e posso dizer que não pararia a obra nem mandaria evacuar a vizinhança?, afirma.

Nos dias anteriores ao acidente, a aceleração do recalque do túnel estava dentro dos padrões aceitáveis. As primeiras medições, feitas na noite de quarta-feira, indicavam um rebaixamento de 2,5 milímetros. No dia seguinte, engenheiros e projetistas se reuniram no prédio da administração do canteiro de obras da Rua Capri para decidir que medidas tomar para conter o avanço do recalque. O atirantamento – colocação de barras de aço, chumbadas com concreto em diferentes pontos das paredes do túnel – foi a técnica escolhida, já que a terra exercia uma pressão lateral no túnel.

Abrupta – Na manhã de sexta-feira, enquanto os operários faziam os furos para aplicar o atirantamento, os instrumentos já apontavam um recalque de dois dígitos – entre 12 e 15 mm, segundo Celestino. Mas até aquele momento, dizem os engenheiros, ainda não havia motivos para preocupação. ?Esse tipo de rocha em que estávamos escavando (gnaisse granítica) costuma dar sinais de que está cedendo. Mas, neste caso, foi uma ruptura abrupta?, justifica o coordenador de Produção do Consórcio Via Amarela, Celso Rodrigues.

Os engenheiros suspeitam de que o ápice do desmoronamento se deu no trecho da estação que estava sob a Rua Capri. ?Todo o resto foi uma conseqüência desse colapso?, avalia Rodrigues.

Embora ainda não tenham feito uma análise detalhada do local do acidente, os técnicos do consórcio já sabem que 6 dos 45 metros de túneis da futura estação do Metrô estão intactos. Para representantes do consórcio, o fato de esse trecho ter sido preservado servirá como prova de que não houve economia de material durante a execução da obra.