Engenheiros, técnicos, consultores ligados ao Consórcio Via Amarela afirmaram ontem que o desmoronamento nas obras da Estação Pinheiros do Metrô da capital paulista foi provocado por uma série de fatores. A chuva, afirmaram, teve papel secundário. ?Fomos mal interpretados na questão da chuva. Nunca dissemos que ela foi a única causa. Dissemos, sim, que a chuva pode ter sido o fator detonador, o gatilho do acidente?, argumentou um representante do Via Amarela. As empreiteiras não descartam a hipótese de erro de engenharia, mas lembram que tiveram acidentes em períodos chuvosos.

O consórcio admitiu que havia atraso na frente de trabalho onde aconteceu o acidente, mas disse que ele era responsabilidade do Metrô, que demorou 11 meses além do previsto para desapropriar imóveis na área. As empreiteiras já encomendaram um estudo a consultores sobre o acidente. A idéia é analisar todos os fatores – projeto, qualidade do material, avanço da obra, geologia, comportamento do maciço, análise dos recalques e falha humana.

O consórcio também nega que faça distribuição de bônus para acelerar os trabalhos. ?Temos com os engenheiros mecanismos de participação nos lucros, como manda a lei?, esclarece o coordenador de Produção do Via Amarela, Celso Rodrigues. Em caso de acidente com afastamento de funcionário, toda a frente de trabalho perde direito a 50% do bônus. E, se houver afastamento de dois funcionários, a frente perde direito a 100%.

Preservação

O Consórcio Via Amarela vai negociar com o Ministério Público Estadual (MPE) e a polícia de que forma será feita a preservação da área do acidente após o trabalho de resgate. Os engenheiros disseram que são necessárias intervenções para estabilizar o solo, como cortes de taludes, mas a prioridade é da perícia.