Rio – O consumo de energia no Brasil cresceu 4,6% em 2005 sobre o ano anterior, impulsionado principalmente pelo setor comercial e pelo acréscimo de residências entre novos consumidores, informou hoje (3) a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A demanda industrial, no entanto, impediu que o crescimento fosse maior. Ao contrário do ano anterior, quando havia sido o principal responsável pela alta do consumo, aumentando a demanda em 7%, o setor industrial registrou fraco desempenho em 2005, crescendo apenas 2,4%.

Segundo o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, as dificuldades enfrentadas no agronegócio, na indústria têxtil e calçadista foram os responsáveis pelo crescimento aquém do esperado no setor industrial. Esta influência, explicou, pôde ser constatada nos números regionais. A região Centro-Oeste, afetada pela febre aftosa no ano passado, por exemplo, foi a única no País a apresentar uma queda neste segmento, de 2,1%, enquanto a região Sudeste cresceu 3,2% de um ano para outro. A frustração também pôde ser observada na região Sul (que teve quebra de safra agrícola), registrando crescimento de apenas 1 1% no segmento industrial.

A categoria de consumo de energia que apresentou a maior taxa de crescimento foi a comercial, que corresponde a 16% do mercado. A categoria, que reúne comércio e serviços, teve acréscimo de 7,2% no País e chegou a 9,1% no Nordeste.

Segundo Tolmasquim, a demanda do comércio foi impulsionada principalmente pelo segmento de turismo e pelo incremento nas atividades portuárias (relacionadas ao comércio exterior), além do natural processo de expansão e modernização do setor. "Estima-se que a receita com turismo tenha alcançado em 2005 cerca de US$ 4 bilhões. Isso exige um consumo maior de energia em hotéis e restaurantes, e neste ínterim o Nordeste é a região que teve o maior crescimento", comentou.

Já o crescimento no segmento residencial, de 5,4%, pode ser atribuída à expansão no número de residências com eletricidade, já que o consumo per capita passou de 140 quilowatts por hora (kWh) por mês em 2004 para 142 kWh por mês no ano passado, ambos bem inferiores ao consumo médio de antes do racionamento, que estava próximo a 180 kWh por mês. Dados da EPE apontam que houve um acréscimo de 1,7 milhão de consumidores residenciais em 2005, atingindo o número de 48,5 milhões de unidades consumidoras.