Por que Curitiba não tem um centro de convenções condigno?

Porque o atual governo preferiu soluções de ocasião.

Curitiba sedia, anualmente, muitos congressos e, por suas reais e mais apregoadas características de uma cidade bonita, limpa e organizada, é procurada para muitos eventos. Mas, esses encontros realizam-se precariamente. As instalações que hoje se oferecem decepcionam. E já não se concebe que os espaços a eles destinados não disponham de áreas e meios apropriados à consecução melhor de seus trabalhos.

Aqui, ao nosso lado, a vizinha cidade de Joinville nos mostra um exemplo de administração com uma visão moderna e voltada para o interesse público e não para um projeto de promoção pessoal e de grupo. Com uma receita em torno de oito milhões de reais, faz prodígio. Construiu um centro de eventos – o Centreventos Cau Hansen – de multiuso, onde se realizam os mais importantes acontecimentos patrocinados na cidade e onde funciona a Escola de Dança Bolshoi do Brasil. Com 25 mil metros quadrados, tem capacidade para receber até 10 mil pessoas. O Festival de Dança, que se realiza ali, todo ano, com repercussão internacional, atrai grupos e participantes de todos os recantos do Brasil e causa um justificado impacto nos que aí chegam para os seus encontros. Pelas convenções empresariais que aí também se fazem o Centreventos contribui para um turismo de negócios na cidade que vai explicando a expansão de sua rede hoteleira.

Outra coisa que nos enche os olhos e causa inveja é o prédio do Fórum, em Joinville. Embora de responsabilidade do Estado, foi construído no estilo “enxaimel” e integrou-se no cenário da cidade. Um belo prédio que se avista do outro lado da Avenida Beira Rio.

Enquanto isso, sofremos aqui as dificuldades e o desconforto dos serviços forenses por falta também de um prédio adequado que abrigue os órgãos e serviços do Poder Judiciário com possibilidade sempre de ampliação face ao crescimento progressivo das demandas judiciais. E o pior: tem-se estado condenado a ver a permanência de um esqueleto, na Praça Nossa Senhora de Salete, um erro de locação e construção, como um símbolo do descaso. A situação “sub judice” da obra não justifica que outra não tivesse início e fosse concluída, em outro local, com outras possibilidades. Bastaria se ter reduzido o volume de publicidade com a promoção pessoal, embarcada em institucional, e evitado aquele empenho suspeitoso da venda da Copel contra toda a reação da opinião pública e o interesse do Estado.

P.S.: Retificando. A informação que me deram e a que me referi no artigo – A boa universidade – de que o resort Ponta dos Ganchos é um hotel três estrelas foi uma confusão do informante com as três ilhas de sua marca. Sendo um resort, não está na classificação estelar. Óbvio.

J. Ribamar G. Ferreira

é advogado e professor aposentado da UFPR.