Foto: Cesar Brustolin/SMCS

A operação especial de controle de poluição que a URBS começou há um mês já deu resultados positivos. Nas primeiras três semanas foram analisados 66 veículos biarticulados que, graças ao controle periódico e à regulagem eficiente do motor, estão abaixo do limite de emissões de poluentes permitido pela legislação ambiental. Se estivessem no limite máximo, eles lançariam seis toneladas a mais de fuligem no ar da cidade, num período médio de um ano.

O trabalho preventivo evita que toda essa sujeira saia pelo escapamento dos ônibus e vá parar na atmosfera. Essa fuligem é formada por pequenas partículas do diesel que não foram queimadas junto com o combustível no motor do ônibus. No meio dos resíduos, está o perigoso monóxido de carbono, que polui a atmosfera, piora o aquecimento global e prejudica a saúde respiratória das pessoas.

Com a chegada do inverno, as baixas temperaturas e as chuvas menos freqüentes, como ocorreu no mês passado, aumentam a concentração de poluentes na atmosfera. Por isso, a URBS está fazendo essa operação concentrada de controle em todos os ônibus da frota operante na cidade. A equipe de vistoria tem uma unidade móvel, equipada com um "opacímetro" para fazer os testes nas garagens das empresas de ônibus.

O opacímetro é uma máquina que verifica o nível de fuligem que sai do escapamento de cada veículo. Os técnicos encaixam uma mangueira no cano de escape do ônibus para recolher a fumaça. A fumaça entra numa câmara fechada, onde um feixe de luz atravessa de um lado para o outro. Quanto mais limpa a fumaça, menos interferência no caminho do feixe de luz. Quanto mais fuligem, mais escura a fumaça e mais opacidade registrada no equipamento. Um computador ligado à máquina analisa os resultados e emite um relatório impresso na hora.

O teste é rigoroso e reproduz as condições normais de uso do ônibus. A fumaça do escapamento só é recolhida depois que o motor está aquecido na temperatura normal de trabalho, entre 60 e 80 graus centígrados.

Vistorias de rotina são feitas no mínimo duas vezes por ano em cada um dos 1800 veículos da frota operante. Testes especiais também são feitos quando algum usuário do transporte registra reclamação pela central de atendimento 156. "Mas no inverno esse controle torna-se ainda mais importante, por causa das condições ambientais que pioram a qualidade do ar", afirma o gerente de vistoria da URBS, Élcio Karas.

O cidadão também pode dar sua contribuição para a melhoria da qualidade do ar: basta deixar o carro em casa, mesmo que seja apenas por alguns dias do mês. Segundo informações da gerência técnica da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU), o automóvel é a principal fonte poluidora da atmosfera.

O carro polui, por passageiro transportado, 28 vezes mais do que o usuário do transporte público. Enquanto um automóvel despeja no ar 25 gramas de carbono por quilômetro, equivalente a 18 gramas em média por passageiro transportado, o lançamento correspondente a cada usuário de ônibus é de apenas 0,6 gramas.