Os clientes que utilizam a Ferroeste ? ferrovia que liga Cascavel a Guarapuava ? reclamam que estão sendo prejudicados pela incapacidade da empresa concessionária Ferropar em prestar serviços com agilidade e eficiência. É mais um dado revelado pelo Relatório de Inspeção Técnico-operacional da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

O documento cita quatro clientes que movimentam diariamente produtos com origem ou destino na região Oeste e dependem a ferrovia, construída pelo Exército no primeiro governo Roberto Requião, entre 1991 e 1994, e privatizada pela administração seguinte.

De acordo com visitas e entrevistas realizadas pela ANTT, todos os clientes perdem com a falta de vagões e locomotivas, tendo que transportar grande parte da sua produção pelas rodovias do Estado, o que acaba onerando o produtor e também o consumidor final.

O presidente do Conselho de Usuários da Ferroeste, Alcides Cavalca Neto, afirmou aos técnicos da ANTT que a Ferropar não aproveita todo o potencial do transporte ferroviário e deixa de cumprir os contratos firmados principalmente com as cooperativas, que acabam realizando o transporte da safra via malha rodoviária.

Cooperativas

Segundo Cavalca Neto, as cooperativas estariam dispostas a investir na compra de vagões e locomotivas, aumentando a capacidade ferroviária para que fosse realizado o transporte de toda a produção, ?desde que a operadora da ferrovia não fosse a Ferropar, já que a empresa não cumpre os contratos?.

A Cooperativa Central Regional Iguaçu (Contriguaçu) – que integra outras cinco cooperativas – informa que, da sua demanda anual de transporte de grãos e fertilizantes para transporte, que seria de 4,5 milhões de toneladas, apenas 1 milhão de toneladas passa pelas ferrovias.

O mesmo ocorre com a Bunge Fertilizantes, que transporta apenas 37% de sua produção por ferrovia, já que necessitaria de 150 vagões por dia para transportar 6 mil toneladas e dispõe apenas de 20, transportando 800 toneladas.

Outras queixas vêm da Incopa, que é atendida com apenas 8 dos 25 vagões necessários para transportar mil toneladas, e ainda da Cargil, que precisa apelar para as rodovias para realizar o transporte de pouco mais da metade da sua produção.

A opção forçada pelo modal rodoviário causa prejuízos não apenas aos produtores e consumidores, mas também para o Estado, no que diz respeito à conservação das estradas.

Rodovias

Para o secretário dos Transportes, Waldyr Pugliesi, a incapacidade da Ferropar sobrecarrega as rodovias paranaenses e aumenta os gastos com a sua manutenção.

?Na tentativa de suprir a demanda que o transporte ferroviário não atende atualmente, as rodovias têm recebido cada vez mais caminhões e alguns deles são pesados demais e isso acaba reduzindo a vida útil do pavimento?, alerta.