O governador Roberto Requião e o presidente da Copel participaram, nesta quarta-feira (28), da inauguração da Usina Fundão, que se integra ao Complexo Energético do Rio Jordão (Centro-Sul do Estado), o maior empreendimento de geração de energia em construção no Paraná. O complexo vai operar com potência instalada total de 245,9 megawatts, energia suficiente para atender a 600 mil pessoas, mais que a população de Londrina, estimada em 490 mil habitantes.

A representante do Ministério de Minas de Energia, que coordena o Comitê de Gestão Integrada de Empreendimentos do Setor Público, Márcia Camargo, disse que o Paraná vem promovendo importantes obras para o desenvolvimento econômico do estado e do país. ?O mérito dos avanços obtidos pelo Paraná no setor energético se devem à firmeza das posições que o governador Requião tem levado ao governo federal. Requião é o legítimo representante da garra, dignidade e firmeza com que apresenta suas convicções?, disse Márcia.

As usinas do Rio Jordão são os últimos aproveitamentos construídos pela Copel, cuja energia servirá diretamente ao atendimento da população paranaense. O presidente da estatal, Rubens Ghilardi, explicou que o novo modelo do setor elétrico impõe a venda de toda a energia produzida em novas usinas a um único agente, que será responsável também pela revenda da energia às empresas distribuidoras. ?Com esse modelo não há garantia alguma de que a eletricidade produzida no Paraná venha a ser destinada ao bem-estar e crescimento do Estado?, afirmou Ghilardi.

Antecipação 

A Usina Fundão entra em operação com mais de um mês de antecedência em relação ao prazo estabelecidos pela Aneel ? Agência Nacional de Energia Elétrica. Localizada na região Centro-Sul do Estado, entre os municípios de Pinhão e Foz do Jordão, a Fundão vai gerar 120 megawatts de potência, complementando o aproveitamento do Complexo Energético do Rio Jordão ? do qual faz parte, também, a Usina Santa Clara (entre Candói e Pinhão), também com potência de 120 megawatts, inaugurada em 30 de setembro do ano passado.

O primeiro grupo gerador de Fundão, de 60 megawatts, entrou em operação comercial em 22 de junho. O segundo grupo gerador está em fase final de montagem e tem previsão de operar a partir do mês de agosto, dois meses antes da data determinada pela Aneel.

?O Paraná está vencendo mais um desafio na área de energia e superar tais desafios é uma constante na história da Copel, que, desde a sua criação – há 52 anos -, vem trabalhando para dotar o Estado da força necessária para continuar crescendo?, disse o diretor-presidente da Itaipu Binacional, Jorge Sameck.

Funcionamento

A concessão do conjunto pertence à Elejor ? Centrais Elétricas do Rio Jordão ?, empresa subsidiária da Copel que nela tem 70% de participação, em associação com capitais privados. A Elejor passou ao controle da Copel em outubro de 2004. Os investimentos na construção do complexo ultrapassam a R$ 500 milhões. Toda a eletricidade gerada na usina Fundão é entregue à Copel Distribuição, subsidiária integral da Copel, responsável pelo atendimento direto a quase 3,3 milhões de ligações no Paraná.

O presidente da Elejor, Sérgio Luiz Lamy, disse que a Usina Fundão foi concebida aproveitando a queda natural do Rio Jordão. ?É uma das maiores obras de engenharia do país na área de escavação subterrânea, resultando em uma queda de 90 metros?, relatou Lamy.

Junto com a segunda unidade geradora, prevista para começar a funcionar em agosto, entra em operação a pequena central hidrelétrica (PCH) de 2,5 megawatts de potência incorporada à barragem, que aproveita a vazão que deve ser mantida entre a estrutura de barramento e o canal de fuga da casa de força.

Meio ambiente

O projeto de construção das Centrais Elétricas do Rio Jordão incluem a implantação e execução de 33 programas sócio-ambientais recomendados pelo Relatório de Impactos Ambientais do empreendimento ? 17 para a Usina Santa Clara e 16 para a Usina Fundão.

O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) vem fiscalizando os programas que já resultaram em 90 quilômetros de recomposição de mata ciliar em uma faixa de cem metros ao redor do reservatório e em projetos de monitoramento da qualidade da água, monitoramento do clima, salvamento do patrimônio arqueológico, reassentamento de famílias, constituição da mata ciliar, reserva legal, limpeza do reservatório (desmate) e monitoramento da encosta entre outros.

?Esta é uma experiência modelo na área de geração de energia, na qual todo o processo foi monitorado pelo IAP, o que torna um empreendimento ambientalmente correto?, disse o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rasca Rodrigues. Segundo ele, durante todo o processo de construção da Usina foram seguidos rigorosos critérios ambientais, obedecendo sempre o código florestal.

Segundo ele, a Santa Clara manterá Área de Preservação Permanente (APP) na própria área da usina ? diferente de outros modelos, em que a APP é feita em outras propriedades.

Faz parte ainda da medida compensatória a construção de um centro de educação ambiental na região e um parque estadual na área lindeira, que deverão estar prontos até a metade do próximo ano. ?Esta é uma preocupação ambiental do governo que irá nortear o licenciamento para instalação de outros empreendimentos futuramente?, disse Rasca.

Participaram da solenidade de inauguração o vice-governador Orlando Pessuti, o procurador-geral do Estado Sérgio Botto de Lacerda; o prefeito de Foz do Jordão, Anildo Alves da Silva; o prefeito de Candói, Maurício Araújo; o cônsul-geral da Argentina, Emílio Júlio Neffa, deputados, promotores públicos e autoridades militares.