O corte de 0,50 ponto porcentual na Selic fortaleceu a aposta de que a taxa fechará o ano em 13,75%. A mais recente pesquisa Focus, divulgada na última segunda-feira, apontava expectativa de que o custo do dinheiro encerrasse o ano em 14%. Embora a decisão do Copom tenha surpreendido a maioria de analistas de bancos e fundos estrangeiros, não houve uma reação negativa.

Grande parte do mercado havia se ancorado na mensagem de ?maior parcimônia? contida na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de julho para manter a aposta em redução de 0 25 ponto. Mas analistas vinham alertando, nos últimos dias, sobre a possibilidade de o corte ser maior.

As atenções agora se voltam à ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada na próxima sexta-feira, dia 8 de setembro. A expectativa é de que o relaxamento monetário continuará, mas resta saber qual a magnitude das próximas reduções. O corte de ontem, que levou a Selic a 14,25%, foi o décimo consecutivo e terceiro seguido de 0 50 ponto porcentual.

O economista sênior do banco Dresdner Kleinwort (DKIB), Nuno Camara, reduziu sua previsão para a Selic no final de 2006 de 14% para 13,75%. ?A decisão de ontem é uma clara indicação de que o BC está muito confiante com a perspectiva para a inflação e que o ciclo de relaxamento monetário ainda deve avançar?, disse.

?Acreditamos que o BC deverá aumentar a retórica, fazendo referência explícita para a necessidade de se reduzir o ritmo do relaxamento nos juros daqui em diante.? Camara prevê um novo corte de 0,25 ponto na Selic em outubro.

A economista do Banco Espírito Santo, Sandra Utsumi, disse que a decisão de ontem ?não apenas mantém a perspectiva de novos cortes, mas também aumenta a chance de a Selic fechar o ano abaixo de 14%?.

Para o economista do banco HSBC, Luis Cezário, o mercado brasileiro deve reagir positivamente à decisão do Copom, pois a curva dos juros domésticos já considerava corte entre 0,25 ponto e 0,50 ponto na Selic.