A Fifa confirmou que o Corinthians está arriscado a sofrer punições que poderiam chegar ao rebaixamento do clube no Campeonato Brasileiro ou a suspensões de competições internacionais se não quitar sua dívida de ? 8 milhões com o Lyon na transação referente à transferência do atacante Nilmar.

Hoje, três dias depois do julgamento do caso, a Fifa anunciou publicamente a vitória do Lyon. O Corinthians poderá recorrer da decisão na Corte Arbitral do Esporte (CAS), em Lausanne, ou pagar a dívida nos próximos 30 dias. Os advogados foram informados ontem da decisão, mas os documentos com a arbitragem chegaram apenas hoje aos clubes, por fax.

Quando a parceira MSI contratou Nilmar para o Corinthians, em julho de 2005, pagou 2 milhões de euros ao time francês como empréstimo, com o direito de concretizar a transferência em definitivo pagando 8 milhões de euros depois de um ano – em julho de 2006. Mas o jogador sofreu uma lesão no joelho direito e foi obrigado a sofrer uma cirurgia, e o Corinthians resolveu protelar o pagamento. Como o jogador, no entanto, nunca voltou para a França – fez toda sua recuperação no Corinthians -, o Lyon recorreu à Fifa para receber o dinheiro.

"Está claro que o Corinthians precisa pagar o que deve", afirmou Andréas Herren, porta-voz da Fifa. Segundo ele, porém, Nilmar não precisaria retornar ao clube francês e pode jogar onde quiser – nesse quesito, o Corinthians obteve na Justiça do Trabalho o direito de prorrogar o contrato por seis meses, por causa da lesão sofrida pelo jogador.

Pelos procedimentos normais, o Corinthians poderia ser levado ao Comitê Disciplinar da entidade máxima do futebol caso não deposite o dinheiro do Lyon. Nesse caso, as penas poderiam variar desde a mera perda de pontos em um campeonato até a suspensão do clube de competições. "O Comitê Disciplinar tem autonomia para tomar a decisão que lhe pareça melhor", explicou Herren. Um pedido de apelação arrastaria o caso por mais seis meses. Mas a Fifa afirmou que teria de avaliar se, durante esse período, o jogador poderia ou não atuar.

Na sede do Lyon, cartolas festejavam a decisão da Fifa e deixaram claro que querem receber todo o dinheiro. O Lyon tem a expectativa de que possa usar os ? 8 milhões na compra do meia checo Milan Baros, do Aston Villa.

Os problemas, contudo, não param por ai. Parte do dinheiro pago pela MSI ao Lyon pelo empréstimo não teria sido nem sequer depositado na França, diante de problemas fiscais que o clube tem no país. A questão, portanto, seria a de saber onde os ? 8 milhões, centro da discórdia, devem ser depositados.