O delegado Fernando Costa Azevedo, da Divisão de Crimes Funcionais (DCF), da Corregedoria da Polícia Civil, ouviu nos dois últimos dias em Brasília, os irmãos Raimundo Laurindo Barbosa Neto e Jeovan Laurindo Barbosa. Presos em 1º de setembro por participação do furto de R$ 164,7 milhões do Banco Central de Fortaleza (CE), os dois teriam sido vítimas de extorsão por policiais civis da Grande São Paulo.

Durante investigações da operação Facção Toupeira, a Polícia Federal de Brasília apurou que no período de um ano em que ficou em liberdade, Raimundo foi preso duas vezes por policiais civis de São Paulo e libertado depois de pagar o total de R$ 450 mil. O delegado quer saber quem são os policiais que achacaram os ladrões.

Na primeira extorsão mediante seqüestro, cuja data não foi divulgada, o acusado teve de pagar R$ 100 mil a policiais civis de São Paulo. Na segunda, no dia 20 de abril, policiais de São Bernardo do Campo, na região do ABC, exigiram do ladrão mais R$ 350 mil para não levá-lo para a cadeia.

Essa última negociação foi integralmente gravada pelos policiais federais. As interceptações telefônicas mostram que Raimundo ficou pelo menos seis horas sob custódia dos policiais, das 14h30 até às 20h30. Ele só foi libertado depois de entregar duas malas de dinheiro aos supostos policiais.

A primeira remessa foi entregue por volta das 18h pela mulher do acusado, Liduína Barbosa. Ela entregou R$ 50 mil a um rapaz vestido de terno preto no centro de São Bernardo. A segunda parte do dinheiro, teria sido entregue após as 20h30, depois de Jeovan viajar para Peruíbe para buscar os R$ 300 mil exigidos pelos agentes corruptos.

O advogado Édson Campos Luziani acabou preso, acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha, por intermediar a negociação ilícita. Interrogado pela PF, Raimundo contou que foi extorquido por um policial identificado como Vítor. A Secretaria de Segurança Pública informou que além dos irmãos, o delegado Azevedo ouviu também o advogado, mas não revelou o conteúdo do depoimento deles. Os três estão detidos na Superintendência da PF de Brasília.