São Paulo – O secretário de Comunicação do PT, Humberto Costa, disse hoje, em São Paulo, que a demora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em tomar uma posição sobre a candidatura à reeleição preocupa o partido. Costa ressaltou que não sentiu, até o momento, uma manifestação clara sobre qual será a posição de Lula e apontou a necessidade de mobilizar as bases do partido num apelo pela reeleição. O secretário de Comunicação destacou que ele é, atualmente, o único nome da sigla capaz de reunir uma aliança mais ampla em torno do próprio nome.

O secretário de Comunicação do PT participa da reunião da executiva nacional da legenda. "Isso preocupa o PT e, em razão dessa preocupação, vamos sair a campo para dar ao presidente as condições para que ele assuma essa candidatura", destacou. Costa afirmou que Lula não é apenas "o melhor candidato que a esquerda tem para disputar essa eleição", como também simboliza "o projeto vitorioso" que tem sido o atual governo.

Sobre se o presidente pediu ao PT que desse início a essa mobilização, o secretário afirmou que, em momento algum, isso seria um fator determinante para uma nova candidatura dele. "A possibilidade da candidatura dele depende, basicamente, de construir uma governabilidade para o próximo governo e de existir um cenário nacional e internacional favorável à realização de um governo melhor do que este."

Apesar da preocupação, Costa sinalizou que o partido ainda não tem um plano B no caso de uma eventual desistência de Lula em disputar a reeleição. "Acho que é muito cedo para discutir qualquer outra alternativa; nós não trabalhamos com a hipótese de que o presidente não seja candidato. Vamos trabalhar enquanto ele não nos der um não definitivo."

Costa reconheceu que a elaboração do plano de governo da legenda é um processo que ainda está em fase "muito inicial". O secretário ressaltou, no entanto, que a idéia é levar para a próxima reunião do diretório nacional petista um esboço com as linhas gerais deste programa.

Costa não soube dizer quem está encarregado deste processo, mas confirmou que o assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia consta da lista de integrantes do grupo responsável.

O secretário comentou também o andamento das discussões sobre qual será a política de alianças da sigla para este ano. Segundo Costa, a executiva começou a debater o tema na manhã de hoje, mas ele insistiu que as conversas têm como único objetivo começar a traçar uma linha neste sentido.

De acordo com o ex-ministro da Saúde, uma definição só ocorrerá de fato no encontro nacional da agremiação, marcado para abril. Ainda na manhã de hoje, a comissão executiva aprovou a divulgação de uma nota sobre a lista envolvendo supostos beneficiários de um esquema irregular de financiamento de campanha ligado à empresa Furnas Centrais Elétricas.

De acordo com Costa, o documento trará um pedido de apuração das denúncias por todos os mecanismos envolvidos na investigação de irregularidades eleitorais, como a Polícia Federal (PF) e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos.

Ainda sobre a relação de Furnas, o ex-ministro afirmou que o PT não prejulgará nenhum dos envolvidos para evitar que seja feito com a oposição o mesmo que foi praticado com o partido, com a eclosão do escândalo do "mensalão".

"O que não vamos fazer é aquilo de que fomos vítimas o tempo inteiro." Costa insistiu também que não existe nenhum tipo de acordo entre a legenda e a oposição para evitar que os trabalhos da CPI resultem em novas acusações que atinjam os dois lados. "Entre o PT e a oposição, não há acordo de forma alguma."