Uma lista com os parlamentares suspeitos de envolvimento em corrupção devem ser enviados ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados ou ao presidente da Casa, Severino Cavalcanti.

O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) ainda tem dúvidas sobre qual dos dois seria o procedimento mais adequado, mas promete enviar a lista ainda na semana que vem. "Nós estamos estudando o procedimento correto", afirmou, nesta segunda-feira, Serraglio, relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga denúncias de corrupção na Empresa de Correios e Telégrafos (ECT).

"Nós estamos buscando a consultoria do Senado para saber se a CPI pode enviar direto para o Conselho de Ética. Porque nós temos a informação que deve enviar necessariamente para o Severino e é ele que envia ao Conselho", explicou Serraglio.

O relator disse que o assunto ainda deve ser discutido pelos integrantes da CPMI, mas, na opinião dele, o procedimento mais adequado seria encaminhar ao Severino Cavalcanti. "Nós encaminharíamos toda a lista, com todos os nomes, com todos os detalhamentos, ao presidente da Câmara. Para que ele envie ao Conselho de Ética ou para a CPI da Compra de Votos", declarou.

Para o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que é sub-relator da comissão, a opção ideal seria o envio direto ao Conselho de Ética porque daria rapidez à abertura de processos contra os parlamentares envolvidos. "Eu entendo que a representação no Conselho de Ética vai ao encontro daquilo que a sociedade quer, ou seja, agilidade. Quanto mais tempo demorarmos, mais tempo nós propiciamos para que os parlamentares envolvidos tenham a possibilidade de renunciar", disse Sampaio.

O sub-relator explicou que os parlamentares estudam ainda a possibilidade de enviar os nomes de alguns deputados para a CPMI da Compra de Votos. Segundo Carlos Sampaio, seriam os parlamentares que a CPI dos Correios ainda não tem "provas robustas".

Osmar Serraglio afirmou que está aguardando os deputados que têm o nome na lista apresentarem suas defesas escritas à CPMI dos Correios. O relator afirmou que os parlamentares têm cinco dias para se pronunciarem, a partir do dia que eles forem notificados. "Se eles não apresentarem no prazo, o problema é deles. Não vamos esperar", disse.

Ele explicou que mesmo o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que renunciou ao mandato no dia 1º, será notificado. "O fato de ter renunciado ao mandato não significa que não se possa haver responsabilização por atos ilícitos, que vão encaminhados ao Ministério Público", disse Serraglio.