O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetiu a resposta dada na entrevista da última sexta-feira a emissoras de rádio, quando foi indagado há pouco sobre as denúncias de corrupção em seu governo. Segundo ele, a CPI do Congresso que apurou as supostas irregularidades terminou sem provar a existência do mensalão. Lula disse que "colocaram o mensalão na cabeça do povo, virou refrão de Carnaval", mas o pagamento de propinas a parlamentares não foi provado. "No Brasil, muitas das coisas que estão acontecendo é porque começou as eleições do ano que vem."

Lula disse que, ao receber denúncias com indícios de provas, um governante, seja presidente, governador ou prefeito, tem de afastar o servidor público envolvido. Nesse sentido, citou que o governo afastou 515 funcionários e 130 policias federais. "Por que sou obrigado a saber o que o "João conversou e com quem", indagou , ao responder se tinha conhecimento das irregularidades cometidas por integrantes de seu governo. Disse que só há três possibilidades de um governante saber das irregularidades: ou ele próprio teria participado da conversa; ou alguém teria participado e contado ao governante ou, a terceira hipótese seria a de tomar conhecimento por denúncia da imprensa.

"Antes de provar alguma coisa, as pessoas fazem um Carnaval", queixou-se Lula. Para ilustrar seu raciocínio, o presidente citou o caso da Escola Base, ocorrido em SP na década de 80, quando os proprietários da escola foram acusados de pedofilia. "Destruíram a Escola Base e depois nada foi provado", comparou. Mas, de acordo com o presidente, algumas pessoas colocam a mentira acima da verdade. "Alguns não querem investigar, querem denunciar, denunciar, denunciar sem trégua", afirmou.