Brasília – O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, senador Efraim Morais (PFL-PB), e o relator, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) que reconsidere as decisões que impediram a CPI de ter acesso aos sigilos bancário, telefônico e fiscal do presidente do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresas (Sebrae), Paulo Okamotto, e do empresário Roberto Carlos da Silva Kurzweil.

Segundo Efraim, a CPI irá encaminhar informações ao STF e protocolar no final da tarde de hoje (7) um pedido de reexame das decisões que impediram a quebra dos sigilos. A informação foi dada depois que o presidente e o relator da comissão se reuniram com o presidente do Supremo, ministro Nelson Jobim. "Acreditamos em uma decisão rápida do Supremo para que possamos continuar nossas investigações", afirmou Efraim após o encontro. O senador Garibaldi Alves destacou que as informações sobre quebra de sigilos são "fundamentais" para a comissão.

O presidente da CPI disse que vai orientar os demais membros da comissão sobre os requerimentos de quebra de sigilos. "O que nós entendemos é que temos que fundamentar bem os nossos requerimentos para que se evite até, em determinado ponto, perda de tempo", destacou o senador. Ele afirmou ainda que, juntamente com o pedido de reexame, encaminhará ao Supremo informações que o empresário Roberto Carlos Kurzweil irá prestar durante depoimento hoje na CPI.

Roberto Carlos Kurzweil, que vai prestar esclarecimentos na condição de investigado e protegido por um habeas corpus concedido pelo STF, teria participado da operação de transporte dos dólares cubanos supostamente doados para a campanha presidencial do PT em 2002. Com a liminar do STF, Kurzweil fica desobrigado de responder perguntas que possam incriminá-lo e de assumir o compromisso de dizer a verdade, sem o risco de ser preso.

Sobre o habeas corpus conseguido pelo empresário para depor, Efraim acredita que não irá atrapalhar a comissão porque, segundo ele, os senadores já estão com "certa experiência em trabalhar com pessoas que tentam se esconder por trás de habeas corpus". "Já fizemos outros depoimentos com esses habeas corpus e entendemos que não há nenhum problema, já que se sentirmos que o depoente não está falando a verdade, e com o pedido de reexame dessa matéria, nós o convocaremos novamente", destacou Efraim.